O novo ministro da Fazenda (Finanças) brasileiro, Joaquim Levy, tomou hoje posse com um discurso em que manifestou a aposta no equilíbrio fiscal em 2015 para a retomada do crescimento, sem, entretanto, afetar os direitos sociais adquiridos no país.

“O reequilíbrio fiscal em 2015 e o cumprimento das metas de 2016 e 2017 serão o fundamento de um novo ciclo de crescimento”, afirmou o ministro, realçando que um ajuste nos gastos governamentais no início dos anos 1990 foi um dos fatores que permitiu o sucesso do Plano Real, que acabou com a hiperinflação no Brasil.

Joaquim Levy realçou que o ajuste fiscal deve ocorrer sem ofender os direitos sociais, referindo-se aos beneficiários de programas de apoios sociais.

O ministro defendeu também a contenção dos gastos públicos e a indicação de pessoas para cargos públicos apenas por critérios técnicos.

A posse de Levy, que estava na direção de um banco, era esperada pelo mercado para tentar controlar a inflação no Brasil e retomar o crescimento. A expectativa da imprensa local é a de que o reequilíbrio fiscal anunciado pelo ministro resulte num aumento de impostos, para aumentar as receitas e reconquistar a confiança de investidores.

O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central brasileiro, informa hoje que a expectativa é a de que o crescimento do país em 2014 seja de 0,15% e, neste ano, de 0,5%. A previsão da inflação é agora de 6,56%, superior ao objetivo inicialmente previsto e que era de 4,5%.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do país divulgou hoje que o saldo da balança comercial brasileira terminou 2014 em défice pela primeira vez desde o ano 2000, com as importações a ultrapassarem as exportações em 3,93 mil milhões de dólares (3,29 mil milhões de euros). O resultado obtido é o pior desde 1998.