Eleições na Grécia

Gregos Independentes: quem é o novo parceiro do Syriza?

549

Para formar Governo, o Syriza juntou-se aos Gregos Independentes, nacionalistas e com um discurso anti-imigração. Os analistas na Grécia temem que venha aí muita instabilidade.

Panos Kammenos, líder do partido Gregos Independentes, e Alexis Tsipras, líder do Syriza

AFP/Getty Images

E surpresa. Em pouco menos de uma hora, no dia seguinte às eleições, o Syriza chegou a acordo com o partido nacionalista de direita Gregos Independentes, para formar um Governo de coligação. Com os Independentes, terá uma maioria de 162 deputados (149 + 13), num Parlamento com 300 cadeiras. Mas se os une a visão anti-troika e anti-austeridade, tudo o resto os afasta.

Apesar de concordarem com o fim do programa de assistência financeira e com a necessidade de renegociar a dívida pública com os credores, noutros aspetos como a separação de poderes entre a Igreja e o Estado ou o casamento homossexual as suas visões são radicalmente opostas. Na verdade, um segue a linha política da esquerda, intitulando-se da Esquerda Radical, enquanto o outro segue os trâmites da direita. Não chegando a uma posição tão extremista como os neo-nazis da Aurora Dourada, os Gregos Independentes estão certamente mais à direita do que a Nova Democracia.

A coligação é composta por dois partidos tão diferentes que, nas primeiras reações pós-eleições, os comentadores gregos temem o pior: “Temos pela frente uma enorme instabilidade política”, escreve Alexis Papachelas.

Outro jornalista grego é citado pelo El Español dizendo que “há muita gente confusa no Syriza. A ala mais progressista vai ter que fazer um grande esforço” para conseguir um acordo programático com o novo parceiro. Apostolais Fotiadis diz que mesmo havendo sintonia económica, em assuntos como a imigração e a política social o Governo – cuja distribuição de pastas começa agora – poderá tremer.

Fundado a 24 de fevereiro de 2012, o partido Gregos Independentes é liderado por Panos Kammenos, ex-deputado do partido Nova Democracia, que foi expulso depois de ter votado contra o Governo de coligação de Lucas Papademos, em 2012. Desde aí tem liderado os Gregos Independentes, que já tinham participado nas duas corridas eleitorais de 2012 e conseguido resultados bastante mais animadores do que os deste domingo. São vistos como populistas, com um discurso nacionalista e com uma atitude firme face à imigração.

Começaram com 33 deputados eleitos no sufrágio de maio (tendo conseguido 10,6% dos votos), mas a sua popularidade rapidamente entrou em queda. Nas eleições de junho desse mesmo ano, que foram convocadas depois de as negociações para formar Governo terem falhado, os Gregos Independentes ficaram-se pelos 7,5%, elegendo 20 deputados. Nas eleições desde domingo, o resultado foi ainda mais baixo: 4,75%, que se traduzem em apenas 13 deputados.

Panos Kammenos foi o primeiro líder partidário a ser ouvido por Alexis Tsipras nesta manhã de segunda-feira destinada à ronda de negociações para a formação de Governo. A reunião não terá durado sequer uma hora e terminou com um aperto de mão. À saída, o líder dos Independentes anunciou aos jornalistas: hav

“Quero dizer, basicamente, que a partir deste momento já há Governo. Os Gregos Independentes vão dar um voto de confiança ao primeiro-ministro Alexis Tsipras”, afirmou Panos Kammenos, líder dos Gregos Independentes, à saída da reunião com Tsipras. “O primeiro-ministro vai falar com o Presidente e o novo Governo deverá ser anunciado em breve. O objetivo para todos os gregos é embarcar num novo dia, uma nova realidade, com plena soberania”, acrescentou.

Kammenos estudou Economic and Bussiness Administration na Universidade de Lyon, em França, e gestão na Management School of Switzerland. É casado e tem quatro filhos.

Em dezembro, Kammenos fazia umas declarações polémicas à televisão grega acusando os judeus que vivem na Grécia de não pagar impostos. O discurso foi encarado como profundamente anti-semita e as comunidades judaicas apressaram-se a exigir pedidos de desculpa oficiais. O Conselho Central das Comunidades refutou imediatamente a acusação, afirmando que as instituições judaicas no país regem-se exatamente pelo mesmo quadro fiscal das instituições cristãs.

(“Ultrapassamos o PASOK!”, escreveu Panos Kammenos, no Twitter, ontem à noite)

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rdinis@observador.pt
Filhos

Guarda conjunta em residência alternada /premium

Eduardo Sá

A recomendação de ser “regra” o regime de guarda conjunta com residência alternada, se mal gerida, pode trazer a muitas crianças uma regulação da responsabilidade parental mais populista do que justa.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)