E surpresa. Em pouco menos de uma hora, no dia seguinte às eleições, o Syriza chegou a acordo com o partido nacionalista de direita Gregos Independentes, para formar um Governo de coligação. Com os Independentes, terá uma maioria de 162 deputados (149 + 13), num Parlamento com 300 cadeiras. Mas se os une a visão anti-troika e anti-austeridade, tudo o resto os afasta.

Apesar de concordarem com o fim do programa de assistência financeira e com a necessidade de renegociar a dívida pública com os credores, noutros aspetos como a separação de poderes entre a Igreja e o Estado ou o casamento homossexual as suas visões são radicalmente opostas. Na verdade, um segue a linha política da esquerda, intitulando-se da Esquerda Radical, enquanto o outro segue os trâmites da direita. Não chegando a uma posição tão extremista como os neo-nazis da Aurora Dourada, os Gregos Independentes estão certamente mais à direita do que a Nova Democracia.

A coligação é composta por dois partidos tão diferentes que, nas primeiras reações pós-eleições, os comentadores gregos temem o pior: “Temos pela frente uma enorme instabilidade política”, escreve Alexis Papachelas.

Outro jornalista grego é citado pelo El Español dizendo que “há muita gente confusa no Syriza. A ala mais progressista vai ter que fazer um grande esforço” para conseguir um acordo programático com o novo parceiro. Apostolais Fotiadis diz que mesmo havendo sintonia económica, em assuntos como a imigração e a política social o Governo – cuja distribuição de pastas começa agora – poderá tremer.

Fundado a 24 de fevereiro de 2012, o partido Gregos Independentes é liderado por Panos Kammenos, ex-deputado do partido Nova Democracia, que foi expulso depois de ter votado contra o Governo de coligação de Lucas Papademos, em 2012. Desde aí tem liderado os Gregos Independentes, que já tinham participado nas duas corridas eleitorais de 2012 e conseguido resultados bastante mais animadores do que os deste domingo. São vistos como populistas, com um discurso nacionalista e com uma atitude firme face à imigração.

Começaram com 33 deputados eleitos no sufrágio de maio (tendo conseguido 10,6% dos votos), mas a sua popularidade rapidamente entrou em queda. Nas eleições de junho desse mesmo ano, que foram convocadas depois de as negociações para formar Governo terem falhado, os Gregos Independentes ficaram-se pelos 7,5%, elegendo 20 deputados. Nas eleições desde domingo, o resultado foi ainda mais baixo: 4,75%, que se traduzem em apenas 13 deputados.

Panos Kammenos foi o primeiro líder partidário a ser ouvido por Alexis Tsipras nesta manhã de segunda-feira destinada à ronda de negociações para a formação de Governo. A reunião não terá durado sequer uma hora e terminou com um aperto de mão. À saída, o líder dos Independentes anunciou aos jornalistas: hav

“Quero dizer, basicamente, que a partir deste momento já há Governo. Os Gregos Independentes vão dar um voto de confiança ao primeiro-ministro Alexis Tsipras”, afirmou Panos Kammenos, líder dos Gregos Independentes, à saída da reunião com Tsipras. “O primeiro-ministro vai falar com o Presidente e o novo Governo deverá ser anunciado em breve. O objetivo para todos os gregos é embarcar num novo dia, uma nova realidade, com plena soberania”, acrescentou.

Kammenos estudou Economic and Bussiness Administration na Universidade de Lyon, em França, e gestão na Management School of Switzerland. É casado e tem quatro filhos.

Em dezembro, Kammenos fazia umas declarações polémicas à televisão grega acusando os judeus que vivem na Grécia de não pagar impostos. O discurso foi encarado como profundamente anti-semita e as comunidades judaicas apressaram-se a exigir pedidos de desculpa oficiais. O Conselho Central das Comunidades refutou imediatamente a acusação, afirmando que as instituições judaicas no país regem-se exatamente pelo mesmo quadro fiscal das instituições cristãs.

(“Ultrapassamos o PASOK!”, escreveu Panos Kammenos, no Twitter, ontem à noite)