Pelo menos 20 pessoas morreram e várias ficaram feridas num ataque perpetrado esta sexta-feira pelo grupo al-Shabab, incluindo representantes do Parlamento da Somália. O porta-voz da organização terrorista assumiu que o objetivo era matar o primeiro-ministro e restante Executivo. Terá sido o pior ataque dos últimos anos, avança a AFP.

O ataque aconteceu no Central Hotel, em Mogadíscio, perto do Palácio Presidencial. No início do dia, sentiram-se duas enormes explosões, seguidas de uma troca de tiros no interior do hotel, conta a BBC.

O chefe da polícia somali, Nur Mohamed, revelou a Reuters como aconteceu o ataque. “Primeiro, um carro-bomba explodiu no portão do hotel. Depois, um bombista suicida fez-se explodir no interior do hotel”.

Nur Mohamed confirmou, também, que dentro do hotel estavam vários “ministros e deputados”. De acordo com outra fonte policial, citada pela AP, o vice-primeiro-ministro e o ministro dos Transportes ficaram feridos no ataque.

De acordo com as últimas atualizações, o vice-presidente de Mogadíscio e um membro do Parlamento foram feridos fatalmente, num ataque que, segundo fontes que estavam no local, foi muito sangrento.

“O prédio foi fortemente atingido, a explosão foi enorme. Havia muitas pessoas feridas, algumas delas com seriedade”, contou o agente da polícia somali Abulrahman Ali, à AFP.

Ali Hussein, que na altura do ataque estava nas imediações do hotel, fala em vários corpos cobertos de sangue na rua. “Havia pessoas cobertas de sangue. Eu contei pelo menos 10 mortos, apenas numa única área”, descreveu Hussein ao mesmo órgão de comunicação.

O al-Shabab, um grupo terrorista que luta há muito pelo controlo da Somália, reivindicou de imediato o ataque e confirmou que os alvos eram os membros do Governo e do Parlamento somali que se encontravam no interior do hotel. “Estamos por detrás do ataque. Tínhamos como alvo os funcionários do governo no hotel. Isto é parte da nossa operação em Mogadíscio”, revelou o porta-voz da organização terrorista, Sheik Abdiasis Abu Musab, à Reuters.

Este não é o primeiro ataque do al-Shabab contra membros do Governo somali. No início deste mês, a organização terrorista matou um deputado somali, também na capital daquele país.

O al-Shabab dominou Mogadíscio durante quatro anos, entre 2007 e 2011, mas forças da União Africana, um esforço conjunto dos países africanos que lutam contra ameaças como o al-Shabab e o Boko Haram, conseguiram recuperar o controlo da cidade e de outras grandes regiões da Somália. O grupo terrorista quer, por isso, derrubar o Governo apoiado pela ONU para voltar a recuperar o poder.