Primeiro foram cinco os drones vistos, na noite de segunda-feira, a voarem sobre Paris. Na noite seguinte, o filme repetiu-se: entre as 23h de terça-feira e as 2h de quarta-feira, “dois ou três drones” sobrevoarem locais e edifícios históricos da capital francesa, como a Place de la Concorde. Porquê? A polícia parisiense não sabe e já criou uma equipa, composta por uma dezena de investigadores do Departamento de Transportes Aéreos, para analisarem vídeos que captaram imagens dos aparelhos.

As autoridades desconhecem a identidade dos pilotos dos drones ou as razões pelas quais têm efetuado os voos com drones. A utilização destes aparelhos no espaço aéreo sobre zonas populosas de França, diz a BBC, é proibida por lei — devido ao risco, escreve, de um drone perder o controlo, despenhar-se e atingir pessoas ou edifícios.

Stéphane Le Foll, porta-voz do governo gaulês, contudo, revelou que “todos podem usar um drone para voar”, dizendo, citado pelo Le Parisien, que “tudo está a ser feito para encontrar” os pilotos, de modo a “não banalizar o problema”.

Durante a noite de segunda para terça-feira, como descreveu a Europe1, uma rádio gaulesa, o primeiro drone foi avistado entre as 23h30 e as 00h30, perto de Saint-Ouen. Pelas 23h50, nas proximidades da estação de metro de Poissonnière e do Palácio de Garnier, onde se encontra a Ópera Nacional de Paris, foi avistado o segundo drone. Depois, o terceiro apareceu à 1h, na zona entre a Assembleia Nacional e a Torre Eiffel.

Na noite anterior já cinco drones tinham sido avistados nos céus da capital francesa. “Não há que ter preocupações de maior, mas a segurança é um assunto muito sério”, sublinhou Stéphane Le Foll. Estes episódios, contudo, não são novos. Na madrugada de 14 para 15 de janeiro, um drone foi visto a sobrevoar o Palácio do Eliseu, residência oficial de François Hollande, presidente francês. O respetivo piloto nunca chegou a ser identificado.

Em outubro de 2014, um turista israelita foi multado em 400 euros e passou uma noite na cadeia, depois de pilotar um drone que voou sobre o Hotel Dieu e uma esquadra da polícia.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) está a preparar uma proposta legislativa que vai regulamentar o uso de drones em Portugal. Atualmente não há legislação para estes equipamentos, mas o INAC já elaborou uma circular com um conjunto de restrições, como a exigência de um pedido de autorização para uso de drones com menos de 150 quilos em todas as áreas de servidão de aeroportos, postos de eletricidade ou retransmissores de telecomunicações. Fora destas áreas, o uso de drones é livre desde que não viole o espaço aéreo civil e militar, nem ponha em risco a vida ou a privacidade de pessoas.