Pelo menos 4.400 crianças morreram nas rotas migratórias entre 2014 e 2025, embora o número real deva ser muito superior, alertou esta quarta-feira a ONU, instando os Estados a intensificarem os esforços na recolha destas estatísticas.

De facto, não há informação sobre a idade de mais de metade dos 81 mil migrantes que morreram ou desapareceram durante este período, segundo dados compilados desde 2014 pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU, através do seu Projeto Migrantes Desaparecidos.

As crianças são frequentemente negligenciadas nestas estatísticas, denunciam a OIM e outras organizações agrupadas na Aliança Internacional de Dados sobre Crianças em Movimento (IDAC).

Segundo as mesmas, é provável que muitas mortes de adolescentes em rotas migratórias perigosas tenham sido registadas erradamente como mortes de adultos.

“Esta e outras omissões deixam os decisores políticos com informação muito limitada sobre os riscos específicos que as crianças enfrentam nas rotas migratórias”, destaca a IDAC.

Na rota do Mediterrâneo Central – uma das principais e mais perigosas vias marítimas de migração irregular em direção à União Europeia, que liga o Norte de África, sobretudo a Líbia e a Tunísia, a países como a Itália e Malta – as crianças representam 19% das chegadas, mas apenas 2% das mortes registadas.

Para a OIM, isto “evidencia as lacunas dos dados e a medida em que as mortes de crianças migrantes podem não estar a ser notificadas”.

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