No prólogo, Isabel do Carmo afirma que as histórias que narra “são reais”, nada é inventado, apesar de ser “difícil sacar-lhes a história pessoal mais íntima”. A obra é apresentada hoje, às 18h30, no El Corte Inglés, em Lisboa, pela escritora Lídia Jorge. Teresa Coutinho irá ler trechos da obra.

Constituem o livro 17 histórias de outras tantas mulheres, como Isabel do Carmo refere, de diferentes condições sociais, às quais a médica endocrinologista acrescenta um comentário seu. “Todas as histórias que aqui se contam estão relacionadas com a condição feminina, conduzindo muitas vezes a situações dramáticas”, escreve Isabel do Carmo, que chama a atenção para as fotografias que ilustram cada história, pois “revelam muito do mistério destas vidas” pelas caras, posições e “posturas espantosas”.

Entre outras história reveladas pelas mulheres, que “são melhores contadoras das suas histórias pessoais que os homens”, há a uma que revela não sentir qualquer apego à filhas gémeas que teve, “que é como se [lhe] fossem estranhas”, afirma a contadora que confessa nada sentir no coração.

Outra história, passada em meio rural, em Coruche, é a de uma mulher que é “adotada” pelos padrinhos latifundiários, que a impediam de ver a mãe e que, sentindo-se contrariada, seguiu sempre o que lhe diziam para fazer, tornou-se professora, casou com um oficial do Exército, e hoje faz o que o marido manda.

“Hoje faço tudo o que o meu marido quer. Ele é que me deposita o ordenado, não me quer dar cartão de multibanco, tenho de lhe pedir dinheiro sempre que quero fazer compras, manda em tudo o que faço”, afirma a contadora, na história que Isabel do Carmo agora traz a luz neste livro, com a chancela das Publicações D. Quixote. “Vozes e fragmentos, que me foram legados com emoção e que aqui deixo também com emoção”, remata Isabel do Carmo.