A suspensão por tempo indefinido nem um dia durou. Menos de 24 horas depois de Stavros Kontonis, ministro-adjunto do Desporto grego, se reunir com Alexis Tsipras, primeiro-ministro, e ambos decretarem a interrupção, sem fim anunciado, das provas oficiais de futebol no país, ambos mudaram de ideias. Afinal, a suspensão aplicar-se-á apenas à primeira divisão, a Super Liga, e só durante uma semana.
Os encontros que estavam agendados para sexta-feira, sábado e domingo, como tal, não se vão realizar. A Super Liga grega será retomada apenas no início de março. Todas as partidas das restantes divisões poderão realizar-se. “Nestas circunstâncias é impossível termos jogos neste fim de semana. Sublinhei às autoridades do futebol que os regulamentos para adeptos e clubes têm de ser aplicados”, reforçou Kontonis, na noite de quarta-feira.
O membro do recém-eleito governo do Syriza, já depois de enaltecer que a decisão “é definitiva e irrevogável”, revelou que os responsáveis dos 18 clubes da primeira divisão foram instruídos a aplicarem medidas para, antes da retoma da competição, reforçarem a segurança nos estádios. “Na próxima quarta-feira voltaremos a reunir para vermos se implementaram aquilo que prometeram”, informou Stavros Kontonis, pois, caso contrário, “haverá outra suspensão”, garantiu.
Alguns órgãos de comunicação social noticiaram que a erradicação das claques dos clubes foi a principal medida sugerida pelo governo grego, aos clubes. Também a adoção de bilhetes eletrónicos, a identificação dos compradores dos ingressos e dos utilizadores dos estádios e a instalação de câmaras de videovigilância nos recintos poderão ser outras medidas adotadas.
Na altura, por coincidência, em que o ministro-adjunto falava após a reunião com Alexis Tsipras, escreveu a versão inglesa do Kathimerini, um jornal grego, a violência irrompia no estádio do Lamia, da segunda divisão, entre adeptos do clube local e o Anagennisi Karditsas. A lei grega, acrescentou o mesmo diário, só permite ao governo e à federação de futebol suspenderem os campeonatos por oito dias consecutivos — algo que, esta época, já aconteceu, aliás, por duas ocasiões.
A suspensão surge como consequência dos incidentes que, no passado domingo, 22 de fevereiro, eclodiram no estádio Apostolos Nikolaidis, em Atenas. Adeptos do Panathinaikos, equipa local capitaneada por Zeca, médio português, ex-Vitória de Setúbal, lançaram várias tochas e projeteis para o relvado — sobretudo após Vítor Pereira, antigo treinador do FC Porto (entre 2011 e 2013) e hoje técnico do Olympiakos, equipa rival, se aproximou da bancada onde estes adeptos se concentravam.
Na terça-feira, até os presidentes dos dois clubes entraram em confrontos físicos após se reunirem para discutir medidas de segurança para os estádios.