A percentagem de mulheres que se senta nos conselhos de administração das empresas portuguesas cotadas em bolsa aumentou 4,2 pontos percentuais desde 2011, mas continua a ser um valor menor: apenas 9,9% dos lugares são ocupados por membros do género feminino, de acordo com os dados revelados este sábado pelo estudo “Onde param as mulheres?”, promovido pela Informa D&B. Nenhuma está no topo da liderança.

Comparando com 2011, o número de mulheres em funções de liderança empresarial em Portugal cresceu 5,3 pontos percentuais, representando 28,2% do universo. Mas a maioria da gestão está nas mãos dos homens – cerca de 44,9% das organizações têm uma equipa de liderança exclusivamente masculina, enquanto apenas 12,2% pertence em exclusivo às mulheres (mais 2,2 pontos percentuais do que em 2011).

“É muito importante podermos observar a evolução desde 2011 porque, apesar de moderada, os dados que recolhemos e analisámos nestes anos indicam uma tendência de crescimento relativo à presença feminina em funções de liderança e gestão’’, disse Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B.

Em 2012, a Comissão Europeia aprovou uma diretiva para que os 27 Estados membros garantissem uma maior presença feminina em cargos de decisão. O objetivo é que até 2020, 40% dos cargos de administradores não executivos das empresas europeias cotadas sejam preenchidos por mulheres.

São vários os países, como a Alemanha e a Suíça, que já começaram a impor quotas de género nas administrações das empresas. Em Portugal, o Governo aprovou a 8 de março de 2012, em Conselho de Ministros, uma resolução para obrigar o setor empresarial a promover a presença plural de mulheres e homens nos órgãos de administração e de fiscalização das empresas dos setores público e privado.

A 6 de março de 2015, mais medidas: o Governo quer que as empresas cotadas em bolsa se comprometam com este equilíbrio e que, até ao final de 2018, os conselhos tenham 30% de administradoras. Caso este objetivo não seja cumprido, Teresa Morais, secretária de Estado da Igualdade, alertou que pode avançar com uma lei de quotas, diz a Renascença.

Em janeiro de 2014, em 277 membros de conselhos de administração de empresas do PSI-20, apenas 18 eram mulheres

Nos dados mais recentes sobre o tema (que remetem a janeiro de 2014) da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, em 277 membros dos conselhos de administração das empresas do PSI 20 apenas 18 são mulheres, sendo que nenhuma ocupava lugar na presidência. E muito poucas tinham funções executivas.

Tendo por base estes números, o Observador fez as contas. Para cumprir a quota dos 30% seria necessário aumentar o número de mulheres na gestão para mais de 80, ou seja, seria preciso mais do que triplicar o atual número de administradoras, contratando, aproximadamente, mais 65.

No PSI 20, é possível encontrar mulheres nos conselhos de administração de empresas como a Mota-Engil, Altri, Cofina e Galp, mas em muitos casos, estas mulheres estão lá porque são também acionistas. O BCP e o BPI estão entre os poucos grupos que têm administradoras femininas na comissão executiva. A única empresa do índice português que teve uma mulher na presidência foi a EDP Renováveis, com Ana Maria Fernandes à cabeça.

Quanto maior é a empresa, menos mulheres há a liderar

As mulheres representavam 42,3% dos colaboradores das empresas, exerciam 33,8% das funções de gestão, 24,9% das funções de direção executiva e ocupavam 28,2% dos cargos de liderança, no final de 2014, diz o estudo da Informa D&B. Os homens participam em 87,8% das equipas de gestão, enquanto as mulheres estão presentes em apenas 55,1%.

Quase metade do universo empresarial português tem uma gestão mista, sendo que nas empresas lideradas por mulheres, a percentagem de equipas compostas por homens e mulheres é maior do que quando a liderança se faz no masculino.

O estudo constatou ainda que quanto maior for a empresa, menos mulheres tem na liderança – ou seja, à medida que o volume de negócios aumenta, diminui o número de dirigentes femininas, apesar de serem a grande fatia da força de trabalho. Mais: nas 500 maiores empresas, aquelas que são lideradas por mulheres (6,2%) cresceram mais do que as lideradas por homens, com um aumento na faturação de 6%.