Já ia embora, mas voltou para trás. Afinal, em dia de jornadas parlamentares do partido, é hora de defender o líder da bancada que tem sido alvo de críticas pelo desempenho à frente da bancada dos deputados socialistas. “É uma honra”, disse António Costa dando a cara por Ferro Rodrigues. Já o líder parlamentar preferiu dizer que não tem uma postura de conflito: “Há muita gente que gosta de cheiro a sangue, mas eu não tenho essa lógica de estar na vida nem na política”, disse.

Várias têm sido as vozes, mesmo que anónimas, a criticar o desempenho do socialista, sobretudo nos debates quinzenais com o primeiro-ministro. A liderança da bancada não é posta em causa diretamente, mas há quem peça mais ação. Hoje, foi até Ferro que chamou à atenção de Costa para o facto de os jornalistas quererem falar com ele sobre este assunto. António Costa já tinha virado as costas para ir embora, quando um jornalista lhe diz que queria falar sobre o líder parlamentar e Ferro, sorridente, diz a Costa: “Querem falar sobre o seu líder parlamentar”.

O secretário-geral do PS lá se vira de novo para garantir que Ferro “está, como se vê, de boa saúde”. E só depois de Ferro falar novamente é que Costa dá a achega final que conforta na bancada Ferro Rodrigues: “É uma grande honra para o PS ter Ferro Rodrigues de novo na primeira linha do combate político como nosso líder parlamentar. É uma grande honra”.

Também o líder parlamentar se defendeu. Disse aos jornalistas que o seu modo de estar na política não é o de combate sanguinário e que está a cumprir a tarefa que António Costa lhe confiou com “a mesma tranquilidade e seriedade” com que desempenhou “nos últimos 25 anos as funções de embaixador, secretário-geral do PS, vice-presidente da Assembleia da República e ministro”.

Os socialistas estão reunidos em Vila Nova de Gaia em jornadas parlamentares dedicadas ao crescimento e à inclusão social. Aos jornalistas, depois de uma visita a uma incubadora de empresas e a uma creche, António Costa frisou a necessidade de ter apoios à criação de empresas, mas também apoios sociais uma vez que esta “maioria tem sido insensível”.

Depois das visitas, Costa fez questão de dizer que é preciso encontrar respostas para uma “classe média, que tem vindo a ser devastada pela quebra de rendimentos, pelo desemprego, pela asfixia que a banca tem feito em relação aos contratos e pela pressão que constituiu a liberalização do mercado de arrendamento”. E nessas respostas estão duas propostas do PS:

1 – Suspensão das penhoras por dívidas fiscais e à Segurança Social;

2 – Reposição da cláusula de Salvaguarda do IMI, “para que não se ponha em causa o bem essencial que é a casa”.

Um dia depois de o Governo ter apresentado um programa para apoiar o regresso de emigrantes, Costa critica-o por defeito. Ou seja, diz o secretário-geral do PS, numa altura em que saíram mais de 300 mil portugueses, um programa que apoie o regresso de “100 ou 200”, “não é um programa, é algo que não dignifica aquilo que deve ser a consciência que os agentes políticos têm de ter da realidade e das respostas efetivas que têm de dar”.

As jornadas parlamentares do PS vão decorrer esta sexta-feira e sábado de manhã num hotel em Gaia. É esperado que os socialistas apresentem algumas propostas nas áreas do crescimento e da inclusão social, o tema das jornadas.