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Não era de esperar que se introduzissem novidades revolucionárias num evento que tem resultado tão bem nos últimos anos e, de facto, essa expectativa confirmou-se na apresentação do evento: o Peixe em Lisboa 2015 ocorrerá, na sua generalidade, nos mesmos moldes das últimas edições. Tomará conta do Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, durante onze dias, entre 9 e 19 de abril, e, mais uma vez, reunirá chefs, restaurantes e produtores, em sessões de cozinha ao vivo, conversas informais ou degustações. A saber — por tópicos, e sem espinhas, para facilitar a digestão.

Presença internacional: poucos mas bons…
Tal como nas últimas edições, o auditório (que volta a estar instalado no Terreiro do Paço, este ano com o palco mais próximo da audiência) volta a receber alguns chefs internacionais de méritos reconhecidos, numa aposta que mantém o foco “na qualidade ao invés da quantidade”, como referiu, na apresentação, Duarte Calvão, diretor do evento. Assim, e por ordem cronológica, cozinharão ao vivo no Peixe em Lisboa nomes como Quique Dacosta (dia 12), três estrelas Michelin e 41º posição na lista “The World’s 50 Best Restaurant”; o argentino radicado em França Mauro Colagreco (dia 13), responsável pela cozinha do Mirazur, restaurante com duas estrelas Michelin em Menton, na Riviera francesa, 11º da mesma lista; o catalão Joan Roca, que com os irmãos Josep (sommelier) e Jordi (chef pasteleiro) é responsável pelo recém-considerado segundo melhor restaurante do mundo, El Celler de Can Roca (três estrelas Michelin), e o brasileiro Rafael Costa e Silva (dia 15), que, depois de uma marcante passagem pelo distinguido Mugaritz, abriu, há cerca de um ano, o Lasai, no Rio de Janeiro, restaurante que não demorou a tornar-se uma referência carioca.

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Joan Roca, chef do El Celler de Can Roca, é especialista na cozinha a vácuo.

De referir ainda que Dacosta marcará presença na cozinha do Belcanto, de José Avillez, no dia 14, para um jantar a quatro mãos com o chef cascalense e que Joan Roca apresentará excertos do documentário Cooking Up a Tribute, resultado de uma digressão dos três irmãos pelos Estados Unidos, México e Colômbia.

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Presença nacional: destaque às novas estrelas (Michelin)
Na lista dos chefs portugueses que farão sessões de cozinha ao vivo no auditório , destacam-se dois recentes estrelas Michelin nacionais: o portuense Pedro Lemos (dia 10) e o algarvio Leonel Pereira (dia 17). Outros jovens que prometem momentos de interesse são Ricardo Costa, do The Yeatman e Leonardo Pereira que voltou das terras frias da Dinamarca (e da cozinha do Noma, um dos melhores restaurantes do mundo) para chefiar a o restaurante do hotel Areias do Seixo. Belmiro de Jesus (dia 19), do Salsa & Coentros, mostrará que tem em sabedoria de cozinha tradicional o que lhe falta em estrelas ou experiência de alta cozinha. Outras presenças a a notar são as de Vítor Sobral (dia 12) e do mestre do sushi (e da alta cozinha japonesa) Tomoaki Kanazawa (dia 18), do Tomo, que irá, segundo a organização, “apresentar uma técnica japonesa muito interessante”.

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Vítor Sobral, especialista em bacalhau, como a foto comprova, volta a marcar presença no evento.

Além das sessões de showcooking, haverá outras três ocasiões de interação entre chefs e público, nas chamadas “Conversas do Pátio”, uma ideia de Vítor Sobral. Às 17h00 em ponto, José Avillez (dia 10), Kiko Martins (dia 15), além do próprio Vítor Sobral (dia 17) estarão no recinto do evento, disponíveis para falar com os visitantes sobre “qualquer coisa, até futebol”, garante Duarte Calvão.

Restaurantes: uma renovação considerável
Na parte que mais interessará aos visitantes do certame — os restaurantes presentes — há novidades assinaláveis: dos dez nomes revelados pela organização do evento, cinco são estreias no Peixe em Lisboa. Mas, primeiro, lugar aos veteranos: José Avillez, O Nobre, Ribamar, Vítor Sobral e Arola by Penha Longa. Ou seja, não faltarão, por certo, alguns pratos que já atingiram o estatuto de clássicos imperdíveis do festival, casos da sopa de santola de Justa Nobre, o cornetto de sapateira de Avillez, ou o caranguejo frito do Ribamar. No campeonato das novidades, há escolhas inesperadas, como o mexicano Las Ficheras ou o ancião Pap’Açorda, prometedoras, como a joint venture Taberna da Rua das Flores e Flores do Bairro ou Kiko Martins e outra que dificilmente desiludirá, o Sushi Café, do chef Daniel Rente. Perante as habituais enchentes, sobretudo ao jantar, a organização decidiu, este ano, introduzir uma novidade na zona de restauração: balcões. Uma sugestão de Vítor Sobral, como revelou Duarte Calvão, e que vai, espera-se, desanuviar a zona de refeições e tornar menos penosa a tarefa de encontrar lugar.

À volta do evento: Sangue na Guelra, Ciência e Pastéis de Nata
“A ideia do Peixe em Lisboa não é ser um festival eucalipto, que seca tudo à volta. Pelo contrário.” Duarte Calvão explica desta forma porque é que são tão importantes os eventos que decorrem à margem do festival. O maior de todos será o Sangue na Guelra, organizado pela Amuse Bouche, de Ana Músico e Paulo Barata, que vai para a sua terceira edição a destacar e desafiar os jovens talentos das cozinhas mais importantes de Portugal (e não só). Tal como no ano passado, terá lugar no restaurante 1300 Taberna, na LX Factory, nas noites de 12 e 13 de abril.

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Será esta a sala que irá acolher o Sangue na Guelra / Paulo Barata ©

A seleção do melhor pastel de nata do país (dia 15) voltará, também, a marcar o evento e “com tanto interesse que haverá provas de pré-seleção”, conta Duarte Calvão. Pastelarias e produtores que queiram suceder à Alcoa, vencedora em 2014, têm até 26 de março para se inscrever.

A Edições do Gosto será responsável por mais uma edição do concurso “Jovens Talentos da Gastronomia” (dia 16), enquanto a Ciência Viva fará duas sessões (dias 10 e 13), uma dedicada às espécies mais populares da costa nacional e outra ao projeto Mr.Good Fish, que pretende alertar para a necessidade de promover a sustentabilidade de certas espécies. O projeto Fabrico Próprio também marcará presença no evento: apresentarão novos bolos, resultado de um levantamento recente feito junto de pasteleiros e pastelarias.

Mercado Gourmet: mais pequeno sem comprometer a variedade
O habitual Mercado Gourmet que costuma estar associado ao evento volta a visitar a Sala do Risco do Pátio da Galé, se bem que com menos expositores (“cerca de 70, em vez dos 80 e tal da última edição”, afirma Duarte Calvão). A menor dimensão não prejudicará, contudo, a variedade: haverá vinhos, chocolates, flor de sal, as obrigatórias (em 2015) cervejas artesanais, gelados Santini e até Açucena Veloso, a peixeira mais conhecida da cidade, repete a presença com uma banca no mesmo local.

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É de esperar que a introdução de balcões facilite a procura por lugares à mesa.

Preços e horários: para quê mexer?
A melhor parte de uma edição sem demasiadas novidades é quando essa característica se estende aos preços de entrada e das doses. Ou seja, a entrada custa exatamente o mesmo que nos anos anteriores: 15€ com direito a uma senha de 5€ para usar num dos restaurantes e uma de 1,5€ para usar nos bares. Isto à noite. Os almoços durante a semana incluem duas senhas de 5€ e duas bebidas de 1,5€, promoção que se estende aos jantares de segunda-feira, o chamado “dia económico”. Há um bilhete de grupo de 60€ para 5 pessoas e crianças até aos 12 anos não pagam entrada. Quanto ao preço dos pratos, a organização garante que as senhas andarão entre os 4€ e os 10€, podendo chegar, no máximo, até aos 14€. Também os horários se mantêm inalterados: 9 abril (primeiro dia), das 18h00 à 00h00, entre 10 e 18 de abril das 12h00 à 00h00 e dia 19 (último dia) das 12h00 às 16h00.