O Facebook mudou as regras. Agora já não há — ou haverá muito menos — dúvidas sobre o que se pode ou não publicar. Sabe aquela imagem icónica da Primeira República? Esqueça, chute para canto, continua a ser impossível: a senhora mostra os mamilos. O Facebook definiu que as imagens que “foquem explicitamente nádegas” e “seios femininos se incluírem o mamilo” serão banidas, conta a BBC.

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Mas os seios femininos não perderam a guerra em toda a linha: fotografias de amamentação ou com cicatrizes pós-mastectomia são permitidas pela rede social. Sobre o ato de amamentar, o Facebook escreve: “Sim [o Facebook permite mães a amamentar]. Acreditamos que amamentar é natural e bonito e estamos satisfeitos por saber que é importante para as mães partilharem as suas experiências com outras [mães] no Facebook.” Antes era proibido, o que levou três mulheres a investirem numa campanha que gritava que amamentar não é pornografia. Ver aqui a história no Huffington Post.

A rede social explica também que só analisa as imagens quando existem queixas de utilizadores, pelo que poderá haver muitas que passam entre os pingos da chuva, assim como outras que levam ao engano. Um exemplo clássico é a fotografia de uma senhora na sua banheira, confortavelmente sentada. Mas houve um problema: a posição dos braços. É que um dos cotovelos parecia um mamilo e o Facebook baniu a fotografia… para mais tarde, depois de muita discussão, tinta e teclas gastas, voltar a autorizá-la.

O novo guia de segurança e boas maneiras está aqui. Conteúdos digitalmente alterados também estão em perigo, a não ser que sejam educacionais ou preencham os requisitos da sátira, respeitando assim os princípios de JeSuisCharlie. Já publicações de teor sexual explicito acabarão também nas malhas da brigada da decência do Facebook.

Mas há mais. Bullying, violência, incitamento ao ódio, regozijo por uma atividade criminal e atos de autoflagelação serão também banidos. Quanto aos vídeos gráficos, o Facebook sugere que os utilizadores alertem os demais sobre a natureza das imagens, porém há uma contradição: o Facebook não permite ao utilizador desativar a reprodução do vídeo automática, algo que só acontecerá caso haja uma reclamação ou queixa.

Na secção “Community Standards”, onde está o tal manual de bons costumes, foi criado um novo segmento: organizações perigosas. Numa altura em que grupos terroristas e extremistas, nomeadamente o Estado Islâmico, têm recorrido às redes sociais para espalhar a palavra, recrutar e até demonstrar a natureza da sua barbárie, o Facebook meteu um travão.

“Não autorizamos qualquer organização que esteja envolvida com (…) atividade terrorista ou atividade criminal organizada. Removemos também conteúdos que expressam apoio a grupos envolvidos em violência ou comportamentos criminais mencionados acima. Apoiar ou elogiar líderes das mesmas organizações, ou tolerar as suas atividades violentas, não é permitido”, pode ler-se na nova alínea.

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Em 2010, conta o El País,  os Scissor Sisters, uma banda de Nova Iorque, publicou o álbum “Night Work” e promoveu-o com uma imagem do rabo do bailarino Peter Reed. Apesar de estar vestido, a rede social bloqueou a imagem. Porquê? Era “inapropriada e excessivamente explicita”, defendeu o exército de Mark Zuckerberg. David Kratz, presidente da Academia de Arte de Nova Iorque, acabaria por escrever um texto no Huffington Post censurando a censura, e acabaria por ganhar a batalha. “Não podemos permitir que o Facebook exerça [o cargo] de comissário das obras que partilhamos com o mundo.”

A arte também poderá respirar fundo. É que, ao contrário do que acontecia antes, quadros, esculturas e arte retratando pessoas nuas, daquelas que se vê ao pontapé pelas ruas de Florença, são agora permitidas.

Uma campanha da ONG Visible Cultura LGTB, onde dois homens trocavam um beijo, foi também banida, mas o Facebook acabaria por recuar, como contou o El País em março de 2012. Mas também a imprensa chegou a ver o sinal vermelho, com primeiras páginas e artigos a serem censurados pela natureza dos cartoons ou fotografias. Por altura do ataque ao Charlie Hebdo, por exemplo, um artigo do El Mundo com o título “Alá es la polla” foi também eliminado pelo Facebook (e mais tarde readmitido, digamos). À boleia do El País (ver aqui artigo original), o melhor mesmo é ver exemplos: