Já não é de agora o peso que a expressão “produtos endógenos” tem vindo a ganhar junto das entidades responsáveis pela promoção turística de certas regiões. Nota-se, nos últimos anos, uma preocupação constante e generalizada a esse nível em puxar pelos produtos alimentares locais — muitas vezes esquecidos, outras vezes ignorados — com o objetivo não só de fazer com que estes sirvam de atração aos visitantes mas também de promover a sua sustentabilidade e apoiar os pequenos produtores que se mantêm em atividade.
Essa preocupação estendeu-se, no final de 2013, a um novo projeto, intitulado Endògenos — o acento ao contrário deve-se a alguma irreverência, nada mais — que organizou, ao longo do ano passado, oito jantares temáticos em que a estrela não foi o chef responsável pelo menu mas sim um produto nacional desconhecido ou pouco valorizado por estas bandas, casos do medronheiro, do galo capão, da fava ou da marmelada branca, entre outros.
Mais do que apenas um jantar, cada evento do Endògenos é uma sessão de descoberta que pode ou não incluir uma chamada viagem interpretativa, à região do respetivo produto, tal como aconteceu, por exemplo, no caso do carapau seco, na Nazaré.
Este ano, houve já um jantar dedicado ao carolo de milho, produto tipicamente beirão, na lisboeta Adega Machado, com o chef Alexis Gregório aos comandos. Na próxima quarta-feira, 25 de março, o Clube de Jornalistas recebe o segundo evento de 2015, com o berbigão como vedeta. Para Nuno Nobre, criador e organizador do projeto, esta é uma oportunidade de “valorizar este ímpar bivalve da nossa costa e rias nacionais, que tem estado ausente das cartas dos restaurantes”. Para tal, será criado um menu de seis pratos contemporâneos, de autoria do chef Ivan Fernandes, que demonstrará o valor e versatilidade do berbigão. O menu não se pode revelar antecipadamente — é sempre apresentado no próprio dia — e, como explica Nuno, “é complementado com outros produtos igualmente endógenos.”
Chegados aqui, há boas e más notícias. A má é que os lugares disponíveis para este jantar (cerca de 30) estão preenchidos. A boa é que o projeto tem já agendados diversos eventos até ao final do ano, com produtos tão diferentes como a muxama, o cidrão, o percebe, ou o pepino-do-mar, entre outros. A próxima edição tem, inclusive, data e local definidos: vai ser na Ericeira, a 9 de maio e pretende homenagear a raia seca local. As reservas deverão sempre ser realizadas por email para nn@nunonobre.com.
No âmbito do Endògenos, os mesmos responsáveis estão também a preparar, em parceria com a Câmara Municipal de Mafra, o 1º Festival internacional do Ouriço-do-mar, nos dias 11 e 12 de abril, na Ericeira. Segundo Nuno Nobre, o festival “contemplará jornadas técnicas com biólogos e investigadores, showcookings com chefes conceituados nacionais e internacionais e mostra gastronómica de produtos da região, entre outras actividades de promoção e valorização do autóctone ouriço-do-mar.”