A Quercus de Vila Real apelou aos viticultores do Douro para abandonarem o uso de herbicidas, depois de o glifosato, que é utilizado “em larga escala” na região duriense, ter sido recentemente considerado como possivelmente cancerígeno.

“O glifosato é utilizado em todo o mundo na agricultura industrial. Em Portugal a utilização do glifosato é massiva na cultura da vinha, em especial nos vinhedos do Alto Douro Vinhateiro”, afirmou, em comunicado, o núcleo de Vila Real e Viseu da associação ambientalista.

Este produto integra a lista de cinco pesticidas que foram recentemente classificados como “possível ou provavelmente” cancerígenos para o homem pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), estrutura da Organização Mundial de Saúde (OMS).

De acordo com a IARC, o glifosato foi encontrado no ar, na água e nos alimentos, e a população está particularmente exposta, por viver perto de áreas intervencionadas com o herbicida, ainda que os níveis de exposição observados sejam “geralmente baixos”.

Perante esta “nova informação”, a Quercus lançou  um apelo aos viticultores da região e “à coragem política dos autarcas para que a prática do uso de herbicidas seja abandonada e em alternativa sejam usados meios não químicos para controlo de plantas infestantes”.

A organização também considerou “preocupante a prática cada vez mais comum de aplicação de herbicidas em meio urbano por parte das autarquias locais”.

Deste modo, apelou a “uma especial atenção à aplicação deste produto na agricultura e nas zonas urbanas”.

A associação lembrou que, em colaboração com a Plataforma Transgénicos Fora, lançou no ano passado a campanha contra o uso de herbicidas em espaços públicos, desafiando as autarquias locais a subscreverem o manifesto “Autarquia sem Glifosato”.

Até ao momento subscreveram este manifesto os municípios de Braga, Castelo de Paiva, São Vicente (Madeira) e Vila Real, e oito juntas de freguesia.