O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, considerou José da Silva Lopes, que morreu esta quinta-feira, um “economista de exceção” e uma “referência cimeira do pensamento económico português”

“Revelando um extraordinário sentido de dedicação à causa pública, José da Silva Lopes cedo foi chamado ao exercício de exigentes funções, tendo um papel determinante no aprofundamento da ligação de Portugal às instituições de cooperação económica internacional e, mais tarde, na nossa adesão às Comunidades Europeias”, escreveu Cavaco Silva numa mensagem de condolências enviada à família do economista.

Cavaco Silva destaca também que Silva Lopes “desempenhou ainda, em tempos de grande complexidade, funções como governador do Banco de Portugal e de ministro das Finanças e do Plano, evidenciando um invulgar conhecimento dos problemas económicos do país e um profundo amor à sua pátria”.

“Com a morte de José da Silva Lopes, Portugal perde uma das suas vozes mais autorizadas, respeitadas e credíveis em matéria económica, que sempre se distinguiu pela independência e pelo rigor”, acrescentou o chefe de Estado na mensagem disponibilizada no ‘site’ da Presidência da República.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, lamentou a morte de José Silva Lopes, salientando que o economista dedicou a vida a Portugal, “servindo com dignidade e integridade nos mais destacados cargos” da Administração Pública, da banca e da política.

“O dr. Silva Lopes pautou sempre a sua intervenção pela isenção e correção nas inúmeras atividades profissionais e cívicas a que esteve ligado ao longo de muitos anos”, afirma Pedro Passos Coelho, numa nota sobre a morte do ex-ministro das Finanças e antigo governador do Banco de Portugal (1975-1980).

Passos Coelho refere ter recebido “com profunda tristeza” a notícia da morte de Silva Lopes, aos 82 anos, que descreve como “um homem com enorme prestígio na economia e finanças”.

O chefe do Governo destaca também que Silva Lopes foi “agraciado pelas mais altas condecorações do país, em reconhecimento” da sua dedicação e do “relevante testemunho e do exemplo” que deixou.

“À família enlutada e aos seus amigos, dirijo as minhas mais sentidas condolências”, acrescenta Pedro Passos Coelho.
O economista João Duque, ex-presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), destacou a “elevadíssima honestidade intelectual” de Silva Lopes, ao comentar à agência Lusa o seu falecimento, hoje divulgado pelo Banco de Portugal.

“Conheci o professor Silva Lopes já numa fase tardia da sua vida profissional, quando o ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) lhe atribuiu o doutoramento ‘honoris causa’”, recordou, aludindo à homenagem feita em 2003, por iniciativa dos economistas Miguel Beleza e Manuel Pinho, que juntou os então Presidente da República, Jorge Sampaio, e governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, e os antigos Presidentes António Ramalho Eanes e Mário Soares, bem como o então ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva.

“Com ele aprendi que era mais importante mostrar a nossa capacidade de análise individual e o nosso contributo por pensarmos pelas nossas próprias cabeças, arrumando e exprimindo as ideias, do que seguirmos determinadas linhas de orientação políticas que gostam de se servir dos economistas para implementar determinados tipos de decisões ou orientações”, vincou João Duque.

Este ensinamento, acrescentou, mostrou a este economista que Silva Lopes “era um homem de elevadíssima honestidade intelectual, capaz de reconhecer erros e de mostrar que às vezes estava perto de economistas mais liberais, sendo ele arrumado na corrente keynesiana”.

Silva Lopes “foi um dos mais eminentes e reconhecidos economistas portugueses do século XX, tendo sido um atento investigador da economia nacional”, destacou o Banco de Portugal (BdP), apontando que o economista, nascido em maio de 1932 “desempenhou prestigiados cargos”.

Ministro das Finanças, governador do Banco de Portugal, administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), representante de Portugal junto do Banco Mundial ou presidente do Conselho Económico e Social foram alguns dos cargos desempenhados por Silva Lopes.

“É um economista de grande brilho e uma pessoa que efetivamente marcou muito e, sobretudo, neste período longo desde o 25 de Abril até aos nossos dias”, afirmou à agência Lusa Rui Leão Martinho.

O bastonário da Ordem dos Economistas destacou também que o economista e antigo ministro das Finanças era um homem sério, vertical, verdadeiro e um “profundo conhecedor, estudioso”.

“Esteve sempre presente nos momentos mais importantes que Portugal atravessou”, afirmou.

Rui Lão Martinho disse ainda que Silva Lopes foi um homem que mostrou firmeza, mas também muitos conhecimentos que foram determinantes para Portugal, nomeadamente nas décadas de 1970 e 1980, quando o país pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O economista e antigo ministro das Finanças José Silva Lopes morreu hoje, segundo uma nota do Banco de Portugal, de que foi governador entre 1975 e 1980.

O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, realçou hoje os “serviços cívicos relevantes” que José Silva Lopes prestou a Portugal enquanto ministro das Finanças num momento crítico do país.

O economista e antigo ministro das Finanças e do Comércio Externo José Silva Lopes morreu esta quinta-feira, aos 82 anos, informou o Banco de Portugal, de que também foi governador entre 1975 e 1980.

À saída do velório do cineasta Manoel de Oliveira, que morreu hoje, aos 106 anos, no Porto, Aguiar-Branco afirmou que Silva Lopes é “uma pessoa a quem os portugueses muito devem e que prestou serviços relevantes ao país e serviços cívicos relevantes enquanto ministro das Finanças de Portugal em momento crítico do país”.

“Acho que foi um português que prestou serviços relevantes, com convicção, de forma muito transparente e frontal com que sempre defendeu as suas posições”, disse- À SIC disse que o economista “teve a felicidade de partilhar este momento com Manoel de Oliveira”.

O Banco de Portugal enviou uma nota de pesar à família, daquele que também foi governador da instituição, o economista e antigo ministro das Finanças José Silva Lopes.

“O governador e os membros do Conselho de Administração do Banco de Portugal endereçam à família do doutor José da Silva Lopes, hoje [dia 2 de abril] falecido, o seu voto de mais profundo pesar”, refere a nota da instituição liderada por Carlos Costa.

Silva Lopes “foi um dos mais eminentes e reconhecidos economistas portugueses do século XX, tendo sido um atento investigador da economia nacional”, destaca o Banco de Portugal (BdP), apontando que o economista, nascido em Maio de 1932 “desempenhou prestigiados cargos”.

Ministro das Finanças, governador do Banco de Portugal, administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), representante de Portugal junto do Banco Mundial ou presidente do Conselho Económico e Social foram alguns dos cargos desempenhados por Silva Lopes.

“Hoje [dia 2 de abril] era ainda membro por inerência do Conselho consultivo do Banco de Portugal”, salienta o BdP na nota.

José Silva Lopes, que foi governador do BdP entre 1975 e 1980, “conduziu a gestão do banco central num momento particularmente difícil da história económica e financeira recente do país”.

Enquanto governador, “foi responsável pela introdução em Portugal do regime cambial de crawling-peg (ou seja, de desvalorizações programadas do escudo), que ajudou a ultrapassar o período de profunda instabilidade macroeconómica vivido na sequência do primeiro choque petrolífero e da mudança de regime”, salienta o BdP.

Silva Lopes “contribuiu ainda decisivamente para que, nos anos seguintes, o Banco de Portugal se afirmasse como um centro de excelência na análise económica e foi determinante para o reforço do prestígio da investigação económica realizada na instituição”, acrescenta.

Nos anos 90, “teve também um papel fundamental na reformulação da legislação aplicável ao sistema financeiro português”, sublinha a instituição, acrescentando que “nas sua relações pessoais e profissionais” Silva Lopes “cultivou sempre a vertente humana, a franqueza e a amizade”.

O Conselho de Administração do BdP “promoverá oportunamente a realização de uma conferência internacional” em sua memória, conclui o BdP.