Parado desde fevereiro de 2013, o acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider) do CERN (Laboratório Europeu para a Investigação Nuclear) prepara-se para uma nova fase. Este fim de semana, o maior e mais poderoso acelerador do laboratório foi reiniciado e os primeiros feixes de partículas já começaram a circular pelo túnel de 27 quilómetros. O funcionamento pleno está previsto para o início de junho.

Foi neste acelerador de partículas que, em 2012, se descobriu o bosão de Higgs. Esta partícula elementar é responsável por dar massa às outras partículas e foi apresentada por físicos teóricos cerca de 50 anos antes de ser encontrada. Um ano depois, em 2013, esta descoberta valeu aos físicos teóricos que a postularam – aos dois ainda vivos, Peter Higgs e François Englert – o prémio Nobel da Física.

Por enquanto os protões são injetados com uma baixa energia, mas nos próximos meses essa energia aumentará até se atingir o objetivo: 13 biliões de eletrão-volt (TeV). Antes de ser desligado em 2013, o acelerador enterrado a 100 metros de profundidade atingia energia de 7 TeV. Em 2016, espera-se que chegue aos 14 TeV. Com o aumento da energia, aumenta também o número de colisões por minuto.

O modelo padrão descreve 17 partículas subatómicas, incluindo o bosão de Higgs, todas elas demonstradas, segundo a BBC. Os investigadores do laboratório localizado na fronteira entre França e Suíça esperam que nesta nova fase seja possível ir além do modelo padrão – a teoria que descreve as partículas fundamentais e a relação que se estabelece entre elas. Estas partículas só descrevem 5% do universo como o conhecemos.

“Vai aumentar a probabilidade de encontrar partículas mais pesadas [com maior massa], partículas previstas noutros modelos [que não o modelo padrão] e observar canais [de decaimento] menos prováveis”, disse ao Observador Patricia Conde-Muiño, investigadora no Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), em Portugal, aquando da publicação dos resultados do decaimento do bosão de Higgs, em junho de 2014.

Além disso, estes feixes de partículas vão atingir temperaturas que não se atingem desde o Big Bang, o que pode significar novas descobertas relacionadas com a energia escura – a força que se pensa fazer o universo expandir cada vez mais depressa – ou a matéria escura – que compõe a maior parte do universo.

O feixe de partículas que foi ativado já deu várias voltas ao acelerador e até já começou a colidir com algumas das peças do túnel. Se isto acontecer perto dos módulos que recolhem os dados, os detetores vão começar a registar o acontecimento, refere a BBC. “É fantástico ver isto a correr tão bem depois de dois anos e de uma revisão tão grande no LHC”, disse Rolf Heuer, diretor-geral do CERN, citado pela BBC.

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