Foi um crescimento rápido para a fama. Emma Charlotte Duerre Watson nasceu há 25 anos em Paris, já a década de 1990 tinha arrancado. Mais tarde deixaria a cidade da luz na companhia da mãe para assentar em Oxfordshire, em Inglaterra. Lá estudou o mundo da representação e com apenas nove anos foi aconselhada a participar nas audições para a saga cinematográfica que viria a conquistar legiões de fãs. O resto é história.

Falar de Emma Watson é falar de Hermione Granger — e assim o será por muitos anos. Para miúdos e graúdos, a personagem é indissociável da atriz de sotaque british. Foram os filmes inspirados na obra de J.K Rowling, e que contavam as aventuras e desventuras de um jovem feiticeiro, que a empurraram para o estrelato. Mas Watson não foi sozinha, Daniel Radcliffe e Rupert Grint (Harry Potter e Ron Weasley, respetivamente) fizeram-lhe companhia numa viagem — trabalhando juntos nos filmes que foram adaptados da literatura.

Uma vez pousada a varinha mágica e o(s) livro(s) de encantamentos, não faltaram trabalhos para a atriz que foi chamada, inclusive, por Sofia Coppola para entrar na longa-metragem The Bling Ring. O filme baseado em factos reais retratava um grupo de adolescentes que assaltava casas de famosos. A versatilidade ficou-lhe bem: de ladra a uma assistente de guarda-roupa em A minha semana com Marilyn, ao lado do oscarizado Eddie Redmayne, sem esquecer a película onde fez o papel de filha de Noé.

Mas não é só a capacidade de representar — já homenageada com vários prémios — que faz dela um nome e rosto reconhecidos. Entre 2009 e 2010, Watson fez de modelo para a marca de luxo Burberry. Vê-la com a típica gabardine, em diferentes formatos de anúncios, parecia uma coisa natural, tal é o jeito. Nem as capas de revistas femininas e de moda lhe resistiram: veja-se, a título de exemplo, a atriz foi capa da edição de abril de 2014 da Elle australiana.

Às boas notas — estudou literatura na Universidade de Brown, nos Estados Unidos, e prosseguiu os estudos em Oxford — juntam-se as causas sociais a que Watson dá voz. Talvez por isso tenha sido eleita embaixadora da boa vontade da ONU, com a responsabilidade de promover a igualdade de género. Foi a primeira embaixadora nomeada por Phumzile Mlambo-Ngcuka, secretária-geral e diretora executiva da agência da ONU para as mulheres — UN Women.

“Quanto mais eu falava de feminismo, mais me apercebia que lutar pelos direitos das mulheres era, demasiadas vezes, sinónimo de ódio masculino. Se há uma coisa que sei com certeza é que isto tem de parar. (…) Para que conste, feminismo é, por definição, a crença de que homens e mulheres deveriam ter direitos e oportunidades iguais”.

Discurso de Emma Watson, em setembro, na ONU

Já em funções, em meados de setembro discursou para mundo ver e ouvir. Falou durante pouco mais de dez minutos em frente a uma plateia composta por membros das Nações Unidas: de um jeito visivelmente emocionado, a britânica levou para o centro de debate um conjunto de questões consideradas fraturantes e assumiu-se feminista.

Waston protagonizou ainda uma campanha para promover a igualdade de género com o nome He for She (“Ele por ela”), convidando a população masculina a juntar-se na defesa dos direitos das mulheres. Esse e outros feitos terão contribuído para que no final do ano fosse considerada a celebridade feminista do ano 2014, numa votação conduzida pela fundação For Women e em parceria com a revista Cosmopolitan.