O CDS criticou as propostas avançadas esta terça-feira pelos peritos do PS, afirmando que o caminho escolhido pelos socialistas é a criação de novos impostos sobre as famílias, através da abolição do quociente familiar e da recuperação do imposto sobre as heranças, ao mesmo tempo que o PS opta por não reduzir a carga fiscal sobre as empresas. Pelas contas do CDS, medidas valem 1,8% do PIB.

“Este é o caminho para o regresso da troika, é o caminho para o segundo resgate”, afirmou a deputada Cecília Meireles, numa conferência de imprensa na Assembleia da República, acrescentando que, pelas contas dos centristas, a proposta do PS representa um peso de 3 mil milhões de euros na despesa do Estado. Ou seja, cerca de 1,8% do PIB de impacto orçamental.

“Tudo isto totaliza um impacto total, seja de perda de receita, seja de aumento de despesa, de cerca de 3.020 milhões de euros. Segundo as nossas contas iniciais, isto representa cerca de 1,8% do PIB de impacto orçamental”, disse.

Falando especificamente sobre a redução da TSU, Cecília Meireles lembrou que o CDS sempre foi a favor de um sistema de tetos contributivos voluntários para as novas gerações, defendendo que até determinado montante os trabalhadores deviam descontar para o sistema público e a partir desse montante pudessem escolher entre o sistema público, particular ou mutualista. “O PS vem agora propor um sistema obrigatório, a partir de determinado montante não são pagas contribuições e as pensões sofrem o respetivo corte”, referiu, considerando que tal proposta representa um “ataque à sustentabilidade da Segurança Social”, afetando as pensões futuras e não explicando como paga as pensões atuais.

Além do imposto sucessório, que foi extinto pelo Governo de Durão Barroso em 2003 e que agora o PS quer voltar a aplicar sobre heranças superiores a um milhão de euros, e além da abolição do quociente familiar, que é a menina dos olhos do CDS, Cecília Meireles atacou ainda a proposta de repor o antigo modelo de rendimento social de inserção (RSI). “É errado dar essa prestação social a quem tem capacidade de trabalhar mas escolhe não o fazer para viver à custa do Estado”, disse.

“Voltar aos moldes antigos do RSI é errado, porque não tem rigor, não tem fiscalização e tem erros do ponto de vista social”, acrescentou.

Em resposta aos jornalistas, a deputada centrista vincou ainda as diferenças entre as propostas socialistas e as do CDS, afirmando que o CDS “nunca defendeu um modelo assente no consumo mas sim na estabilização da procura interna aliada ao aumento das exportações, porque quer queiram quer não o mercado externo é muito maior do que o mercado interno”, disse