A concelhia do Porto do Bloco de Esquerda (BE) acusou esta sexta-feira o presidente da câmara, Pedro Duarte, de não ter rompido com o “modelo económico excessivamente dependente do turismo e do imobiliário” durante o seu primeiro ano de governação.
“Pedro Duarte chegou à Câmara reconhecendo os excessos de um modelo económico excessivamente dependente do turismo e do imobiliário. Era um diagnóstico importante. Um ano depois, falta a rutura consequente com esse modelo”, consideraram em comunicado os bloquistas, justificando-o por “a crise da habitação continuar a ser a questão central da cidade”.
Para a concelhia do Porto do BE, o recente episódio do zonamento inclusivo, em que o executivo de Pedro Duarte aprovou permitir a substituição de habitação acessível por compensações financeiras em sete projetos imobiliários (e depois reverteu), “diz muito sobre as suas prioridades e sobre a facilidade com que o direito à habitação cede perante os interesses imobiliários”.
Desconvocada reunião da Assembleia Municipal do Porto para discutir zonamento inclusivo
Pedro Duarte tomou posse como presidente da Câmara Municipal do Porto há um ano, a 5 de novembro de 2025.
Os bloquistas criticaram ainda as várias intervenções municipais a alojamentos ilegais e a selagem dos mesmos sem que tenham sido encontradas soluções para as pessoas que ali viviam, e consideraram que estas demonstraram “um claro desprezo pelas consequências concretas destas intervenções na vida das pessoas que são vítimas destas circunstâncias”.
Fazendo uma ponte entre estas selagens, a contratação de segurança privada para o bairro do Cerco e a intervenção no Viaduto de Grijó, o grupo municipal sublinhou que estas demonstram haver “um traço comum numa governação particularmente rápida a mobilizar polícia, vigilância ou serviços de limpeza perante problemas cuja raiz é eminentemente social”.
“Uma cidade não resolve a pobreza, a exclusão ou a falta de habitação retirando-as do espaço público. Resolve-as com políticas públicas capazes de atuar sobre as suas causas”, defendeu.
A demolição parcial do Edifício Transparente “sem um processo de participação à altura da importância daquele equipamento”, o “contínuo adiamento da transferência de competências do município para as freguesias” e a “desvalorização” de alertas sobre o Centro Histórico do Porto foram algumas das críticas deixadas pelo Bloco de Esquerda.
A concelhia do BE reconheceu, contudo, os “avanços” trazidos por algumas decisões como a gratuidade dos transportes públicos para portuenses, a retirada dos veículos pesados da Via de Cintura Interna (VCI) e o regresso à Associação Nacional de Municípios Portugueses.
“Não temos dificuldade em acompanhar as decisões que melhoram a cidade, sejam elas propostas nossas ou de outros, e menos ainda quando quem antes as recusava passa a reconhecer a sua necessidade. Mas algumas boas decisões não chegam para alterar um modelo de cidade”, defenderam.