O secretário-geral do PS, António Costa, afirmou esta quarta-feira que é preciso “descaramento” ao Governo para criticar os princípios do cenário macroeconómico apresentado pelos socialistas e considerou que o primeiro-ministro, tal como o PSD, falou sem ter lido o documento. Costa desafiou ainda o Governo a apresentar a fundamentação das conclusões constantes no Programa de Estabilidade, alegando que esse cenário sobre a economia portuguesa até 2019 não possui qualquer dado “sindicável”.

António Costa falava aos jornalistas após ter recebido em audiências a CGTP-IN e a UGT na sede do PS, encontros em que apresentou às duas centrais sindicais o cenário macroeconómico elaborado por um conjunto de economistas, intitulado “Uma década para Portugal”.

O líder socialista foi confrontado pelos jornalistas com as críticas ao cenário macroeconómico do PS feitas por membros do Governo, do PSD e do CDS, designadamente sobre eleitoralismo, despesismo e irrealismo – e respondeu.

“É preciso algum descaramento para que um Governo, que falhou todos os objetivos a que se tinha proposto, que chegou ao fim do seu mandato com uma dívida 30 pontos percentuais acima daquela com que começou, que tem uma taxa de desemprego como aquela que tem, se permita questionar dessa forma as propostas dos outros”, contra-atacou António Costa.

“Estamos perante um Governo que chegou ao fim do seu mandato esgotado e sem propostas para o futuro. Todo o debate de hoje na Assembleia da República [sobre o Programa de Estabilidade] já não incidiu nos documentos apresentados pelo Governo, mas no documento apresentado pelo PS, o que é natural, visto que ao fim destes quatro anos este Governo só teve três coisas para dizer: Novo corte e definitivo nas pensões; esperar pelo final da próxima legislatura para acabar pelos cortes salariais no setor público e com a sobretaxa de IRS”, declarou António Costa.

Com poucas palavras, o líder socialistas reagiu depois à ideia do CDS de que aplicação do cenário macroeconómico do PS poderá custar em termos de despesa mais de três mil milhões de euros.

“Estamos disponíveis para mostrar os números todos, mas isso só demonstra que o CDS é mau de contas”, respondeu.

Já sobre o facto de Pedro Passos Coelho ter classificado como eleitoralista o documento apresentado pelo PS, António Costa manifestou a sua convicção de que “com certeza o primeiro-ministro não leu” o cenário macroeconómico.

“Não sei se repararam que ontem [na terça-feira], ainda não tinha terminado a apresentação do cenário e já estava a direção do PSD a ler um comunicado que já devia estar escrito há 15 dias. O primeiro-ministro que faça aquilo que lhe compete, que é chegar ao fim do seu mandato o mais rapidamente possível e que se concentre nos assuntos da governação”, declarou.

De acordo com o secretário-geral do PS, o cenário macroeconómico do seu partido “existe e é credível”. “Pelo contrário, o primeiro-ministro não é credível e não tem um programa que exista”, acrescentou.

“Se o Governo tem dúvidas sobre os dados, nós estamos disponíveis para os mostrar”, afirmou Costa.

“Mas há uma coisa que também gostaria de dizer: o Governo que mostre os dados [do Programa de Estabilidade]. Aquilo que o Governo apresentou até agora não tem uma única fundamentação, não tem um único dado que seja sindicável, o que não dá qualquer legitimidade ao Governo para exigir”, declarou o secretário-geral do PS.