A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) recomprou esta quinta-feira 2,4 mil milhões de euros em dívida que teria de ser amortizada em outubro de 2017 e quase 2,2 mil milhões em junho de 2018. Em troca, esses investidores compraram 3,1 mil milhões em títulos que serão reembolsados em 2024 e cerca de 875 milhões de euros em 2030. A operação de troca, cujo resultado os analistas estão a considerar “muito positivo”, mostra que as autoridades estão a aproveitar as taxas de juro baixas (mesmo em prazos mais longos) para alisar as necessidades de financiamento dos próximos anos.

Nesta operação, cujos resultados foram comunicados esta quinta-feira pelo IGCP, o organismo recorreu a várias linhas de crédito já existentes para convidar os investidores a prolongarem a exposição à dívida pública portuguesa. “Esta operação demonstra que quem tem dívida portuguesa, quer mantê-la em carteira”, diz o diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva. “Os investidores revelam que mantêm interesse ao aceitarem trocar dívida que se venceria dentro de dois ou três anos por dívida com prazos mais longos (2024 e 2030)”, acrescenta o especialista, que considera a operação “muito positiva” para o Estado.

Filipe Silva acrescenta que “a troca de dívida de maturidade mais curta por maturidade mais longa foi feita a preços de mercado, mas permite ao estado ganhar tempo, estendendo os prazos de pagamento”. “Deste modo, em 2017 e 2018, anos em que teríamos que fazer grandes amortizações, já estaremos menos pressionados”, afirma o especialista.

As operações de recompra e de troca são uma das formas que tem sido utilizada por Portugal no caminho de regresso aos mercados, e está a ser (a par dos reembolsos antecipados ao FMI) uma das maneiras em que o governo tem aproveitado as taxas de juro baixas no mercado, fruto das políticas expansionistas do BCE.

Esta operação poderá ajudar, também, a criar espaço para que o BCE compre dívida de Portugal em prazos mais longos, já que as compras do BCE estão limitadas a 25% de cada linha de crédito existente. Ou seja, ao aumentar o número de títulos que vencem em 2024 e 2030, o BCE fica com mais margem para poder comprar mais obrigações no mercado, contribuindo para dinamizar o mercado e baixar os juros no longo prazo.