A venda de combustíveis rodoviários na rede de retalho registou uma queda em agosto de 6,07%. Este indicador resulta sobretudo de um recuo muito acentuado no consumo de gasóleo de 8,66%, face a igual período de 2025.
O gasóleo foi o combustível cujo preço mais subiu na sequência da crise criada com os ataques americanos ao Irão em março deste ano. No caso da gasolina verificou-se também uma queda nas vendas, muito mais pequena, de 0,59%, mas representa uma inversão da tendência verificada em meses anteriores, sublinha a ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético).
A procura total de combustíveis em agosto também recuou face ao mês de julho — 4,23% — mas nesta comparação há um comportamento distinto. O gasóleo cai 7,99%, a gasolina sobe 4%.
Os dados da ENSE dizem respeito às vendas em postos de combustível e não à procura total de combustíveis rodoviários que, segundo dados da Direção-Geral de Energia e Geologia, cresceu 2% em agosto, face ao mesmo mês do ano passado.
Se olharmos para os volumes de vendas acumulados desde o início do ano nas estações de serviço, há uma ligeira subida no consumo de combustíveis rodoviários em postos de abastecimento de 0,18%, mas mais uma vez este crescimento inclui comportamentos diferenciados. A gasolina cresceu mais de 6%, enquanto no gasóleo o consumo caiu 2,37%.
Esta diferença na dinâmica dos dois combustíveis não se deve apenas ao facto de o preço do gasóleo ter subido mais do que a gasolina. É também o resultado da mudança estrutural no parque automóvel, refletindo a queda a pique nas vendas de carros a diesel, e a opção por veículos híbridos que consomem gasolina.