O prémio Nobel da Física Shuji Nakamura defendeu esta sexta-feria, em Macau, o uso das lâmpadas LED como alternativa mais eficiente do que as antigas fontes de luz para reduzir o consumo de energia e combater o aquecimento global.

“De forma a evitarmos o aquecimento global, temos de reduzir o consumo de energia drasticamente, mas, no campo da eletricidade, a única opção atualmente são os LED”, disse, à margem de uma palestra no Centro de Ciência.

Professor na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Shuji Nakamura foi um dos três laureados no ano passado com o Prémio Nobel da Física, juntamente com Isamu Akasaki e Hiroshi Amano pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), tecnologia que permite significativas poupanças de energia.

Os três investigadores produziram raios brilhantes de luz azul a partir de semicondutores no início da década de 1990, desencadeando uma transformação fundamental na tecnologia de iluminação, segundo o júri do prémio Nobel.

Antes, já existiam díodos vermelhos e verdes, mas sem a luz azul não podiam ser criadas lâmpadas brancas.

Criar o LED azul foi um desafio que se arrastou por três décadas.

As lâmpadas LED emitem uma luz branca brilhante, têm longa duração e usam muito menos energia do que as lâmpadas incandescentes criadas por Thomas Edison no século XIX.

Por terem necessidades de eletricidade muito baixas, as lâmpadas LED podem ser ligadas à energia solar, barata e local, uma vantagem para mais de 1,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo que não têm acesso à rede de eletricidade.

Shuji Nakamura também falou em Macau sobre a sua investigação atual de iluminação a laser. “Está em desenvolvimento. O preço ainda é muito alto e a eficiência não é elevada em comparação com os LED, por isso temos de resolver estes dois problemas, o que pode levar entre cinco e dez anos”, estimou.

Questionado sobre o problema da poluição luminosa em Macau, o físico respondeu com outra pergunta: “Mas isto é um local de entretenimento, como é que as pessoas vão desfrutar da diversão se não houver luz lá fora?”

Para o investigador, a questão deve ter um tratamento diferenciado nas zonas residenciais e de diversão, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, onde “é tudo muito escuro” fora das áreas de entretenimento.

Organizada pelo Centro de Ciência e coorganizada pela Associação para a Promoção da Ciência e da Tecnologia de Macau, a palestra inseriu-se nas comemorações do Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas em Luz, proclamado para 2015 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).