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Kiran Joshi saiu do Nepal com 19 anos para desenvolver as suas capacidades de programador e de animação de filmes. Voltou no ano 2000 para montar a primeira escola de efeitos especiais e animação do país, participando em campanhas de alerta de terramotos, de modo a mostrar às pessoas como agir caso o pior acontecesse. Realizou um documentário chamado “Moving Mountains” sobre o terramoto de 1934 que devastou o país e fez uma animação das consequências que um fenómeno destes teria em Katmandu hoje em dia. A realidade de dia 25 de abril ultrapassou a ficção.

“É muito triste, acho que o Nepal e Katmandu nunca serão os mesmos. Para além da perda de vidas, perdemos muita da nossa cultura nos edifícios e monumentos que colapsaram. Eles ficaram completamente destruídos. O que eu gosto no Nepal é a diversidade cultural e cada um daqueles monumentos tinha a sua história. Eu sei que a cidade vai ser reconstruída, mas parte do charme desses edifícios desapareceu para sempre”, disse Joshi ao Washington Post. Na altura do terramoto, o animador estava fora do país e entretanto já conseguiu contactar todas as pessoas da sua escola e produtora, concluindo que estão todos bem.

O sucesso de Joshi nos Estados Unidos nos anos 90 levou-o a participar nas equipas que levaram ao cinema filmes como “O Corcunda de Notre Dame” e “Atlantis”. Mas um regresso temporário ao país no início dos anos 2000, fê-lo voltar, criar uma escola de animação e uma produtora. Depois do grande terramoto que arrasou o Haiti, várias organizações internacionais começaram a trabalhar com Joshi para que este animasse ma série de episódios que visavam alertar os nepaleses para a importância de se protegessem em caso de abalo sísmico. O animador foi além dessa campanha, realizou um documentário sobre o terramoto de 1934 com relatos dos nepaleses ainda vivos, incluindo também uma simulação dos efeitos de um novo sismo com as mesmas dimensões na cidade de Katmandu.

Apesar dos efeitos previstos na sua animação se aproximarem da realidade vivida no dia 25 de abril, nada o preparou para os efeitos devastadores na cidade. “Quando vi as notícias e a torre completamente derrubada, fiquei completamente devastado”, afirma o animador, garantido que as imagens geradas em 3D podem ajudar a reconstruir a cidade e apreciar os monumentos agora destruídos.

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