Acabou de comer a maior maçã da fruteira na esperança de sossegar a fome. E mesmo assim não consegue parar de pensar no hambúrguer do anúncio que passou na televisão. Que é difícil levar a bom porto uma dieta equilibrada ninguém tem dúvidas. O difícil mesmo é entender por que razão nunca estamos satisfeitos quando comemos fruta ou legumes. E a resposta parece ter chegado agora.

Segundo um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, quanto maior a quantidade de fruta e verduras que consumimos, maior o desejo que temos por fast food em comparação com o desejo de ingerir alimentos açucarados.

E isso justifica-se pelo facto de a frutose não gerar a mesma sensação de saciedade no cérebro que a glicose, porque não estimula a produção de hormonas como a insulina.

Aliás, pelo contrário, comer fruta ativa as partes do cérebro responsáveis por pedir uma recompensa calórica.

Estes dados foram descobertos quando uma equipa de cientistas estudou o comportamento de 24 pessoas. A todas elas foram dados vários sumos para beber: alguns continuam fruta e legumes, outros tinham glicose em vez de frutose, mas numa quantidade semelhante.

A seguir, pediu-se que cada indivíduo olhasse para uma série de imagens de comida gorda e avaliasse a sua vontade de as ingerir. E descobriu-se que a frutose tem um efeito maior na fome e no desejo por alimentos calóricos, graças à reação hormonal perante diferente formas de açúcar.

Porquê? As calorias são processadas de forma diferente e, sendo assim, também conduzem a sensações diferentes. A glicose parece satisfazer mais porque da sua digestão resulta a dispersão da energia por todo o corpo – incluindo o cérebro. Como a frutose é digerida no fígado, a energia fornecida que entra em circulação é menor.

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