Rui Rio

Rui Rio diz que Presidência da República “podia ser estimulante”, mas não se compromete

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Sem se comprometer, mantendo o tabu, Rui Rio fala do papel ideal do Presidente da República e arrisca dizer que votaria nele próprio. Tanto para Belém, como para a presidência do condomínio.

MÁRIO CRUZ/LUSA

Num dia apresenta a sua biografia, “Rui Rio – De corpo inteiro”, no outro dá uma entrevista ao programa de entretenimento da SIC, Alta Definição. O ex-presidente da Câmara do Porto e apontado como presumível candidato à Presidência da República não quis desfazer o tabu e, numa entrevista mais focada na sua vida pessoal do que política, deixou todas as portas abertas. O cargo de Presidente da República “podia ser mais estimulante” do que outros cargos políticos, disse, no sentido em que defende que o papel do chefe de Estado deve mudar. “Então votaria em Rui Rio para a Presidência da República?” “Eu confio nele”, limitou-se a dizer.

No programa de entrevistas conduzidas por Daniel Oliveira, Rui Rio descreveu aquilo que considera ser o mandato indicado para o próximo Presidente da República, defendendo um papel diferente para a figura do chefe de Estado, com mais intervenção, no sentido de “revitalizar o regime” e “pôr a sociedade a debater”.

“No caso da Presidência da República, eu desejaria que o próximo mandato tivesse algo de diferente relativamente àquilo que tem sido o tradicional dos mandatos até hoje, que tem a ver com a necessidade de revitalizar o regime e de reconquistar a confiança entre as pessoas e a política”, disse, acrescentando que “isso passa muito pelos partidos, é certo, mas a figura do Presidente da República pode e deve ter um papel importante para pôr a sociedade a debater e a aprovar mudanças que revitalizem o regime na sua plenitude”. Para Rui Rio, o próximo Presidente da República – “se não for este então o outro, o mais depressa possível” – tem de ter um papel “mais ativo” neste aspeto. “Não na governação, mas nisto”, sublinhou.

Questionado diretamente sobre se o cargo de Presidente da República se apresentava como “mais estimulante neste momento”, com base na perspetiva de mudança necessária referida pelo próprio, Rui Rio afirmou que sim, “podia ser um cargo mais estimulante para quem concordar com isto que acabei de dizer”. Por outro lado, “quem achar que as coisas estão razoáveis, e que mexer é ainda pior, então terá uma perspetiva do cargo mais ou menos como tem sido exercido até aqui”, e não será tão estimulante nessa base, ressalvou.

Brincando com o impasse sobre se vai ou não avançar na corrida a Belém, Daniel Oliveira perguntou diretamente ao ex-autarca se votaria nele próprio para Presidente da República. E Rio não disse que não, limitando-se a dizer que “confia nele”, tanto para a Presidência da República como para a “presidência do condomínio, a junta de freguesia ou o cargo de primeiro-ministro”. Mas com uma ressalva: “Isto se ele se candidatasse, claro”.

Além de Belém, Rui Rio também tem sido apontado como eventual sucessor a Passos Coelho na liderança do PSD, em caso de derrota nas eleições. E sobre uma eventual preferência entre o cargo de primeiro-ministro e de Presidente da República, o ex-autarca prefere responder que para cada cargo, há diferentes características e diferentes perfis. Ou seja, a mesma pessoa pode ter o perfil indicado para um cargo e não para outro. Só não disse qual encaixa melhor no seu próprio perfil.

Os cargos não são sempre iguais, uma coisa é ser primeiro-ministro numa época de crescimento económico, sem problemas de endividamento, etc., outra coisa é ser primeiro-ministro num momento de grande aperto, grande endividamento, já para não falar de ter a troika cá.  São requisitos diferentes. Pode-se ser excelente primeiro-ministro numa dada circunstancia por ter o perfil adequado, e noutras não ser”, disse.

Na sexta-feira, durante a apresentação da sua biografia, em Famalicão, Rio também já tinha sido questionado sobre a possibilidade de se candidatar a Belém, mas voltou a resguardar-se de uma resposta taxativa, dizendo que “há muitas formas” de fazer combate político, que não passem pela Presidência. “Já fiz este combate como deputado, como presidente de câmara e posso fazê-lo como um cidadão normal, como os outros. Há muitas formas de o fazer”, sublinhou na altura.

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