Uma equipa de analistas de dados do Facebook estudou a forma como 10,1 milhões dos seus utilizadores se comportam nesta rede social consoante a sua preferência política. Por ter sido feito nos Estados Unidos da América, a dicotomia utilizada para diferenciar os indivíduos que participaram neste estudo divide-se entre “liberais” e “conservadores”.

O estudo apurou que, em média, apenas 23% dos amigos virtuais destas pessoas têm ideologias que lhes são opostas. Em relação aos posts que aparecem no mural, só 29% apresentam ideias que se opõem à sua maneira de pensar.

“[À primeira vista] pensar-se-ia que haveria apenas uma câmera de eco”, disse, recorrendo a uma expressão usada para descrever um ambiente em que, ao invés de ouvir ideias que lhe são contrárias, uma pessoa apenas ouve opiniões iguais à sua e dados que a reforçam. “Mas não é esse o caso”, disse.

Outra descoberta deste estudo foi que os utilizadores liberais são aqueles que mais refletem essa tal “câmara de eco”. Ao mesmo tempo, os conservadores “são mais seletivos em relação àquilo que clicam quando vêm opiniões políticas desafiantes” às suas convicções, escreve o “New York Times”.

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Este estudo surge numa altura importante, à medida que se aproxima o dia de 8 de novembro de 2016, a data reservada para as próximas eleições norte-americanas. E, antes disso, haverá as eleições primárias no Partido Democrata e no Partido Republicano. Mais do que nunca, a batalha pelos votos nos EUA faz-se na internet. Segundo um estudo do Pew Research Center, cerca de 30% de adultos norte-americanos lê as notícias a partir dos links e posts que encontra no Facebook.

Estudo criticado

Depois de ter sido publicado na revista “Science”, este estudo foi criticado por algumas pessoas do meio académico que estudam estas questões. Isto porque as pessoas usadas na amostra deste estudo se identificam no seu perfil de Facebook consoante a sua opção política – existe um parâmetro onde esta informação pode ser introduzida, tal como a maioria das pessoas faz com a data de nascimento, género ou localidade.

Em declarações ao “New York Times”, Zeynep Tufecki, uma professora da Universidade da Carolina do Norte Chapel Hill, referiu que “as pessoas que declaram as suas opções políticas vão quase de certeza comportar-se de forma diferente, na maior parte dos casos, do que as pessoas que não o fazem”, acrescentando que “o estudo é muito interessante, e importante, mas não é um estudo que possamos generalizar para o resto dos utilizadores do Facebook”.