O PS, PCP e BE deixaram claro que votariam contra o requerimento da maioria para submeter as propostas dos economistas do PS a exame da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) e PSD-CDS acabaram por retirar a proposta, que poderia ser aprovada apenas com os seus votos.

Tal como previsto, PS e maioria repetiram esta manhã na comissão parlamentar de Finanças os argumentos usados na semana passada. PSD e CDS insistiram em que a UTAO devia ser chamada a examinar o impacto orçamental das propostas dos economistas do PS, mas pedindo o apoio dos socialistas para levar avante o requerimento. O PS voltou a dizer que isso abria um precedente grave.
A novidade foi o apoio expresso do PCP e BE ao PS. Estes dois partidos tinham ficado em silêncio na semana passada. Esta quarta-feira, declararam que a ideia da maioria não fazia sentido. “O debate deve ocorrer no campo político e a maioria quer descentrar essa discussão usando uma entidade independente. É uma má opção política e má utilização dos recursos políticos”, disse o deputado do PCP, Paulo Sá. “A maioria não tem legitimidade política, não há seriedade na palavra eleitoral da maioria, que quis foi achincalhar todo o processo. Mas querem ou não querem o exame?”, desafiou o deputado do BE, Pedro Filipe Soares.
Pela maioria, Duarte Pacheco e Cecília Meireles insistiram que a análise pela UTAO permitiria que “os eleitores tivessem mais informação complementar” para poder avaliar as propostas do PS e os seus impactos.
“Não se enquadra nas competências da UTAO, a quem é pedido imparcialidade. Com toda franqueza e simpatia, estas razões deviam levar o PSD a retirar proposta porque não faz sentido e abre um precedente”, respondeu o socialista Vieira da Silva, voltando a dizer que o PS está disponível para responder a “58, 116, 232, 464 questões” do PSD tal como fez com as 29 já respondidas por escrito.