A NATO saudou a União Europeia (UE) por estar a planear uma missão para resolver a questão das migrações no mar Mediterrâneo com o apoio da ONU, mas reiterou que o assunto é estritamente comunitário.

“Saúdo os esforços da UE para desenvolver uma resposta mais ampla à tragédia que testemunhamos no Mediterrâneo e em redor”, afirmou o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, numa conferência de imprensa, no final da reunião de dois dias dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança Atlântica em Antalya, no sul da Turquia.

“O elevado número de refugiados, de vítimas que perdem a vida ao tentar atravessar o Mediterrâneo é um grande desafio”, reconheceu Jens Stoltenberg, salientando ainda o facto de a UE estar a trabalhar junto das Nações Unidas “para tentar receber um mandato para uma resposta mais ampla”.

A chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini, participou na reunião em Antalya e explicou aos ministros dos 28 países-membros da NATO os contactos que manteve junto das Nações Unidas e do Conselho de Segurança.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Trocamos informações e assistência. Mas é uma operação da UE, que se concentra principalmente na migração e no controlo de fronteiras, de modo que é comunitária”, realçou o secretário-geral da NATO, que vai participar na próxima segunda-feira em Bruxelas na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros e de Defesa da UE, em que se aguardam decisões concretas sobre a futura missão.

“É um exemplo de que estamos a trabalhar em conjunto. Mas a operação no Mediterrâneo e em redor é da UE, não é da NATO”, reforçou o norueguês.

Questionado sobre a opção que admite a destruição dos navios que são usados para transportar refugiados e imigrantes para a Europa, Stoltenberg recusou entrar em detalhes. A grande maioria destes navios parte da Líbia.

“A UE está a trabalhar agora com elementos diferentes. O correto é esperar e ver qual será a decisão final da UE, e também que exista um mandato das Nações Unidas para esta operação. Não vou comentar elementos concretos”, disse o representante.

Jens Stoltenberg recordou que, em 2011, a NATO “tinha um mandato muito claro das Nações Unidas”, numa referência à operação internacional que foi ativada para proteger os civis líbios durante a última etapa do regime do ditador líbio Muammar Kadhafi.

Sobre o processo de estabilização da Líbia, que acabou por não ser bem-sucedido, o secretário-geral da NATO afirmou que a responsabilidade passou pela “comunidade internacional no seu todo”, mas “também pela própria Líbia”.

Stoltenberg reiterou ainda que “a NATO não recebeu qualquer pedido por parte da UE” para participar na futura missão no Mediterrâneo.

“Vamos deixar que sejam eles a decidir, trata-se de questões de migração. Se a UE entregar um pedido à NATO, iremos avalia-lo, mas até agora não foi feito qualquer pedido de assistência específica, para usar os nossos recursos nesta operação”, acrescentou.

Ainda sobre a Líbia, Stoltenberg afirmou que a Aliança Atlântica está preparada para atividades de formação, quando a situação de segurança naquele território assim o permitir.

“Trata-se de melhorar as capacidades dos nossos vizinhos, para que possam assumir a segurança”, concluiu.