O ministro do Ambiente anunciou esta quinta-feira que o novo Plano de Ação para a Conservação do Lince Ibérico em Portugal (PACLIP) incidirá sobre a conservação da espécie em habitat natural, depois de concluídas as fases de recuperação em cativeiro.

“Estamos a falar de uma alteração de paradigma. Este novo plano de ação dá passos decisivos, porque é uma fase em que já não estamos a olhar para a recuperação da espécie, mas sim para a sua viabilização em condições naturais e normais”, disse o ministro, após a libertação de mais dois linces ibéricos, no Parque Natural do Vale do Guadiana, no concelho alentejano de Mértola.

Segundo o governante, a intervenção prevista com o novo plano, “que se insere num quadro mais alargado, permite olhar mais para a articulação de políticas de investigação e desenvolvimento, sensibilização e educação ambiental, a monitorização da espécie protegida e também da sua presa, uma ação mais orientada para o habitat natural”.

“O plano configura uma nova fase, depois da primeira que foi de preparação ao longo de dez anos em articulação entre Portugal e Espanha, uma segunda fase de libertação destes dez linces, que hoje se concluiu e, depois vem a terceira fase que é olhar além da reprodução em cativeiro, para a conservação no habitat natural”, destacou o ministro.

Jorge Moreira da Silva, acompanhado pelo secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto, presidiu à cerimónia que assinalou a libertação dos últimos dois dos dez linces ibéricos abrangidos pela reintrodução da espécie em Portugal, iniciada em dezembro de 2014.

Os machos criados em cativeiro, o Luso, nascido em Silves, e o Lítio, proveniente de Doñana (Espanha), foram libertados no Parque Natural do Vale do Guadiana, em Mértola, cerca das 17:00.

Para Jorge Moreira da Silva, no período 2015/2020 serão criadas condições para que “esta fase que foi bem-sucedida com a introdução na natureza destes linces, possa ser consolidada com novas libertações nos próximos anos, de modo a que seja atingido o número de 50 felinos”.

“Este é um momento extraordinário da nossa política do ambiente, mas há ainda muito trabalho para fazer”, sublinhou.

O governante disse ainda que “existe uma grande preocupação com toda a área da conservação da natureza” e anunciou que existem 40 milhões de euros de fundos comunitários para novos projetos, frisando que “são importantes para que viver numa área protegida signifique uma oportunidade e não uma fatalidade”.