“Se fores um homem que quer casar com outro homem, eu mesmo corto-te a garganta”. A ameaça é de Yahya Jammeh, 49 anos, presidente da Gâmbia. “Ninguém vai reparar em ti e nenhum branco vai poder fazer nada contra isso”, acrescentou, referindo-se aos líderes ocidentais que têm criticado as políticas anti-homossexuais do país.

As declarações do presidente daquele pequeno país africano aconteceram na cidade de Farafeni, quando discursava sobre “a criação de um ambiente estável para a juventude do país”, relata a Vice News. A homossexualidade era punida na Gâmbia com 14 anos de prisão. Mas, para Jammeh, não chegava: em novembro assinou um novo projeto de lei para passar a prisão perpétua pelo crime de “homossexualidade agravada”.

Yahya Jammeh tomou a liderança do país em 1994 depois de um golpe militar. Ficou para 1996, depois para 2001, 2006, 2011 e mantém-se até hoje. E não se inibe de expressar as opiniões anti-homossexuais.

  • Em maio de 2008, falava em decapitar cada homossexual encontrado no país. “A Gâmbia é um país de crentes… as práticas pecadoras e imorais, tal como a homossexualidade, não serão toleradas neste país”;
  • “A homossexualidade é mais mortífera que os desastres naturais todos juntos”. É esta a tese do presidente da Gâmbia, ideia defendida em setembro de 2013;
  • Em fevereiro de 2014, dizia que LGBT significava Lepra, Gonorreia, Bactérias e Tuberculose — “são as únicas palavras possíveis (para definir a sigla), e todas elas significam coisas prejudiciais para a existência humana”;
  • No mesmo mês, descreve os homossexuais como “bichos” que deviam ser tratados de “forma pior que mosquitos”. Diz Jammeh: “vamos combater esses bichos chamadas homossexuais da mesma forma que combatemos os mosquitos que causam a malária, ou até de forma mais agressiva”, defendia num discurso que marcava as celebrações dos 49 anos de independência do país face ao Reino Unido.

Como nota a Vice, os EUA e a União Europeia cortaram a ajuda ao país em dezembro do ano passado, justificando com os “abusos constantes” aos Direitos Humanos. No entanto, visto que 90 por cento da população da Gâmbia é muçulmana, o país continuará a receber ajuda dos países do Médio Oriente. O ministro dos Negócios Estrangeiros daquele país, Neneh MacDouall-Gaye, disse no fim-de-semana passado que o país podia tomar mais atenção às leis e recomendações internacionais , mas que as tradições e as crenças religiosas continuariam a prevalecer sobre tudo.

De 1 a 18 de novembro, por exemplo, foram presas e torturadas oito pessoas durante uma “operação do Governo” para “caçar homossexuais”, destaca a Aministia Interacional. A essas oito pessoas, onde estava incluída uma mulher e um rapaz de 17 anos, foram introduzidos aparelhos na vagina e no anus “para determinar a orientação sexual” de cada um deles, caso não confessassem ser gays. O episódio é relatado pela organização.

Homofobia, uma constante em muitos países africanos

A Gâmbia é um dos 38 países africanos que considera a homossexualidade como “crime”. Na semana passada o vice-presidente do Quénia,  William Ruto, dizia que no seu país “não há lugar para a homossexualidade”, noticia a ABC. No mesmo país foi publicada uma lista com os nomes dos dez homossexuais mais conhecidos do país. A “Weekly citizen” publicou o nome e a fotografia de cada um deles. No Uganda, a estratégia da lista foi também usada para intimidar a população.