O quadro “O Almoço do Trolha”, obra icónica do movimento Neorrealista português, vai a leilão na quarta-feira, em Lisboa, com uma base de licitação de 300 mil euros, revelou à agência Lusa fonte da leiloeira.

O valor desta tela, uma das mais importantes de Júlio Pomar, encontrava-se ainda sob consulta quando o leilão de 23 obras do artista foi anunciado pelo Palácio do Correio Velho, há uma semana.

A mesma fonte da leiloeira adiantou que “já há alguns interessados na aquisição” da tela, que vai à praça com mais 22 obras do artista Júlio Pomar, 89 anos.

“Um dos interessados é um particular que disse ter a intenção de adquirir o quadro para eventualmente expô-lo num museu que pretende criar”, precisou à Lusa.

Das 23 obras de Júlio Pomar, oito são originais e 15 são obras gráficas provenientes da coleção de Maria José Salvador e Manuel Torres, falecido este ano.

Depois do leilão ter sido anunciado, o Palácio do Correio Velho recebeu uma notificação da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) dando conta da abertura de um processo de classificação do quadro.

O quadro “O Almoço do Trolha” foi exposto ainda inacabado em 1947, durante a prisão de Júlio Pomar no Forte de Caxias, tendo sido terminada em 1950.

O processo aberto pela DGPC pode demorar até um ano a estar concluído, mas, de acordo com a Lei de Bases do Património Cultural, a partir do momento que se encontra em vias de classificação a obra fica legalmente protegida, mas a venda continua a ser possível desde que se mantenha no país.

O Palácio do Correio Velho considera que a abertura do processo de classificação “não terá impacto negativo no leilão porque a obra interessa sobretudo ao mercado nacional”.

A leiloeira, fundada em 1989, afirma que será a primeira vez que uma obra de um artista vivo é classificada.

Contactado pela Lusa, o gabinete de comunicação da DGPC não confirmou a informação e escusou-se a indicar se o Estado está interessado em adquirir a obra no leilão, usando o seu direito de preferência.

De acordo com a empresa, vão ser apresentados 565 lotes neste Leilão de Antiguidades, Arte Moderna e Contemporânea, que tem início na quarta-feira, às 19:30, e prossegue na quinta-feira.

O colecionador Manuel Torres foi, na década de 1950, um dos sócios fundadores da Gravura — Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, por onde passaram dezenas de artistas, tornando-se, ao longo de meio século, uma das principais divulgadoras da arte moderna em Portugal.

Os artistas Artur Bual, José Cargaleiro, Columbano, Costa Pinheiro, Eduardo Viana, Escada, João Hogan, Julião Sarmento, Lima de Freitas, Nadir Afonso, Paula Rêgo e Sá Nogueira também vão estar representados, com obras, neste leilão.