Uma equipa de arqueólogos irlandesa descobriu os restos de um dos navios da Armada espanhola com o qual o rei espanhol Filipe II pretendia invadir o Reino Unido há mais de 400 anos. A “Juliana”, assim se chamava o navio da Armada Invencível, tinha naufragado em setembro de 1588 ao largo da costa irlandesa, e foi agora encontrado devido às fortes tempestades que atingiram a costa oeste da Irlanda no último inverno e que levantaram as areias do fundo do mar. Foram estas areias que mantiveram o barco escondido durante mais de quatro séculos.

A descoberta foi feita em abril, quando a força das marés arrastou para a praia de Streedagh, em Siglo, costa noroeste da Irlanda, pedaços de madeira que depois se veio a perceber serem parte do “Juliana”. Seguindo as pistas que tinham dado à costa, uma equipa de arqueólogos acabou por desenterrar junto à praia três canhões fabricados entre 1588 e 1570, altura em que “A Juliana” foi construído. Segundo fontes do ministério irlandês da Cultura, citadas pelo El País, as peças encontram-se em “excelentes condições de conservação”.

A ministra irlandesa, Heather Humphreys, de resto, esteve esta semana no local do naufrágio para “conhecer em primeira mão” o trabalho dos arqueólogos. “Descobrimos uma grande quantidade de material fascinante e significativo que tem mais de 425 anos e que tem, obviamente, uma grande importância histórica e arqueológica”.

O navio “A Juliana” destinava-se, na altura, ao comércio entre Espanha e Itália até que o rei Filipe II o integrou, juntamente com outras 130 embarcações, na frota da Armada Invencível, organizada pelo monarca para invadir Inglaterra e destronar a rainha Isabel I. A Juliana era um navio de grandes dimensões, com um peso de 860 toneladas e capacidade para transportar 32 armas, 325 soldados e uma tripulação de 70 marinheiros.