Os portugueses defendem que os esforços desenvolvidos pelas Nações Unidas para enfrentar as alterações climáticas foram “pouco eficazes” e que a conferência de Paris, em dezembro, deve conseguir um acordo sobre medidas práticas, concluiu um inquérito.
A opinião maioritária entre os participantes, com 84%, é que as Nações Unidas “não estiveram à altura do desafio das alterações climáticas” sendo igualmente transmitida por 66% a urgência de conseguir consenso entre os países para avançar com medidas para limitar o aumento da temperatura do planeta a dois graus Celsius.
O trabalho sobre alterações climáticas e energia, que foi desenvolvido pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, será hoje apresentado numa conferência e pretendeu conhecer as opiniões dos portugueses acerca das mudanças do clima, tema que centra preocupações de ambientalistas, cientistas, responsáveis políticos e mesmo do papa Francisco.
A iniciativa integrou-se num projeto mais amplo do Governo francês que reuniu em simultâneo, no dia 06 de junho, 100 cidadãos em 100 países, possibilitando a pessoas comuns debater e propor soluções para as questões climáticas, uma forma de preparar a conferência das Nações Unidas sobre o clima, marcada para dezembro, em Paris, e na qual os países tentarão chegar a um novo acordo para substituir o protocolo de Quioto sobre emissões de gases com efeito de estufa.
Em Portugal participaram 120 cidadãos escolhidos pelo ICS, de acordo com critérios de representatividade da sociedade portuguesa, vindos de “todas as regiões, de todas as idades, de quase todas as profissões e também de todos os ‘status’ sociais e graus de educação diferentes”.
No final dos debates, os cidadãos responderam a um inquérito cujos resultados foram enviados ao Governo e depois integrados nos resultados globais a entregar aos decisores políticos.
Uma das questões que distingue Portugal dos outros países é que 81% dos inquiridos não sentem as alterações como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida.
Os portugueses apoiam a taxa de carbono, principalmente se penalizar mais aqueles que menos fazem para reduzir as suas emissões (47%) ou tendo em conta o grau de desenvolvimento do próprio país (29%).
Quanto às medidas para tentar reduzir os efeitos das mudanças do clima, a preferência vai para o apoio às energias com baixas emissões (57%), seguida do corte aos subsídios às energias de origem fóssil (32%), ajuda à investigação e desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono (32%).
A intervenção considerada mais eficaz para lidar com as alterações climáticas não é a nacional, só com 6% das respostas, mas sim a internacional, com 68,5%, seguida da regional e local (23%).
Os programas de educação sobre alterações climáticas para o público em geral recolhem 74% de respostas dos cidadãos, mas o desenvolvimento de soluções com base no conhecimento local ou tradicional também é valorizado (37%), seguido da proteção das florestas tropicais (33%).
Quase 60% dos portugueses defendem que as alterações climáticas devem ser uma prioridade nacional, mas só 28% são da opinião que este tema já o é, sendo que Portugal é um dos países europeus mais afetados pelas mudanças do clima, nomeadamente pelo aumento da frequência de fenómenos extremos, como inundações, ondas de calor e secas.