A eurodeputada socialista Elisa Ferreira disse “não ser verdade” que “não acontece nada” em caso de eventual saída da Grécia do euro, vincando que o “impasse” nas negociações tem “urgentemente de se resolver”.
“Tem de se resolver [a situação da Grécia]. Não é verdade que a Grécia pode sair do Euro ou ter uma rutura e não acontece nada. Acontece e como dizia Mario Draghi [presidente do Banco Central Europeu] ‘entramos em águas nunca antes navegadas’. A Grécia tem de se manter no Euro”, disse Elisa Ferreira.
A eurodeputada falava à agência Lusa à margem do debate “União Bancária” que esta noite decorre em Santo Tirso, distrito do Porto, uma iniciativa promovido pela câmara local e a Associação Amar Santo Tirso, tendo considerado que “ninguém entende que seja um país que vale 2% do PIB [Produto Interno Bruto] da Europa que esteja a causar um problema tão grande”.
Já no sentido contrário e quando questionada sobre a posição das estruturas europeias, a socialista frisou que “também ninguém entende que a Europa que é tão poderosa e já fez tanto seja incapaz de resolver” a situação.
“Dá a ideia às vezes que as instituições europeias perderam um bocadinho o sentido estratégico e andamos entre Comissão, Eurogrupo, Fundo Monetário Internacional”, enumerou sem esquecer a troika.
“Há que encontrar um equilíbrio que também passe por um reconhecimento de que as receitas que foram impostas pelas troikas não deram os resultados que se esperavam. Não são propriamente a bola de prata que se esperava e assiste alguma razão aos gregos”, referiu.
Elisa Ferreira defendeu que a Europa “tem de perceber que faltam peças na União Monetária”, desde logo, e mesmo admitindo ser “difícil”, “um orçamento maior”: “Temos de pensar por exemplo se o Fundo Europeu de Estabilização pode ser utilizado de forma comunitária e não cada Estado membro poder bloquear aquilo que lhe apetece ou de acordo com os seus interesses individuais”.
A eurodeputada também apontou que é preciso “pensar num novo conceito de reformas estruturais”, frisando que “reformas estruturais não é esmagar salários”.
E, questionada sobre quais as suas expectativas face ao Eurogrupo que vai decorrer sábado em Bruxelas, reafirmou a necessidade de se chegar a um acordo que, referiu, “pare com um jogo do empurra que não faz qualquer sentido”.
“Acho que estamos sempre nas contagens hiper-decrescentes mas não se pode esquecer que depois de amanhã, mesmo que se saia disto, continua a haver um problema que é a dívida. A dívida da Grécia é brutal. A dívida portuguesa é muito grande”, apontou.
Perante esta conclusão, Elisa Ferreira defendeu, por fim, ser “preciso incluir na agenda europeia” a reflexão de “como é que vai ser gerida esta dívida”, projetando que a Grécia, “mesmo que agora receba os fundos necessários para pagar as faturas de curto prazo vai ter de ter um programa de pagamento”. “E esse programa não pode voltar ser gerido por uma troika que não é responsável perante ninguém, num jogo de empurra entre instituições”, concluiu.