O que seria dos clássicos de Dostoevsky, Sun-Tzu ou de Haruki Murakami sem as traduções para línguas que nos são familiares? Apesar de o seu trabalho ser crucial para termos acesso a livros, os tradutores continuam a passar despercebido. O prestigioso prémio britânico de literatura Man Booker Internacional Prize decidiu reconhecer o importante trabalho dos tradutores, dividindo o prémio do autor premiado com o seu tradutor de língua inglesa.

A partir do próximo ano, os livros candidatos devem estar publicados no Reino Unido e terá que ter uma tradução para língua inglesa. O prémio de 52 mil libras (aproximadamente 74 mil euros) será divido entre o autor e o tradutor da obra premiada. Os organizadores esperam que isto seja uma consciencialização da importância do trabalho do tradutor.

“Os tradutores e os autores são uma parceria. Levam o livro a uma nova língua. Eu nunca ouvi um autor dizer ‘Fui eu que escrevi o livro, por isso eu é que deveria receber a maior parte do dinheiro’. O sonho [de qualquer autor] é de que os tradutores sejam mais apoiados”, disse Fiammentta Rocco, administradora do prémio britânico. “Uma tradução pobre mataria até a mais bela das prosas”, acrescentou.

Esta medida será aplicada à categoria de Ficção Estrangeira Independente. Para os organizadores, este reconhecimento monetário aos tradutores pode aumentar o número de livros de ficção traduzidos. Atualmente, segundo o jornal britânico Telegraph, apenas 5% da ficção literária vendida no Reino Unido é traduzida.

“Uma das constantes observações dos nossos juízes do Prémio Internacional Man Booker tem sido a escassez de boa ficção traduzida em inglês”, explica o diretor da Fundação do Prémio Internacional Man Booker, Jonathan Taylor.

“Esperemos que esta reconfiguração do prémio encoraje a um maior interesse e investimento na tradução”, concluiu.