Todo o cinema do realizador francês Jacques Tati será exibido, pela primeira vez, nos próximos dias, em Lisboa e Porto, em versão digital restaurada.

A programação dedicada ao mestre francês da comédia foi preparada pela Leopardo Filmes e contará com todas as seis longas-metragens do realizador, falecido em 1982 em Paris. A retrospetiva começa no dia 20 de agosto, às 21h30, no Espaço Nimas, em Lisboa, com “Sim, Sr. Hulot” (1971). Serão ainda exibidos “Há festa na aldeia” (1949), “As férias do Sr. Hulot” (1953), “O meu tio” (1958), “Playtime – Vida moderna” (1967) e “Parade“, o último filme, feito em 1974 para a televisão sueca.

O público vai poder ver também sete curtas-metragens de exibição inédita em Portugal, que o cineasta escreveu ou interpretou. São elas “Procura-se brutamontes” (1934), de Charles Barrois, “Domingo animado” (1935), de Jacques Berr, “Cuida do teu gancho esquerdo” (1936), de René Cleement, “A escola de carteiros” (1946), de Tati, “Aulas noturnas” (1967), de Nicoolas Ribowski, “Especialidade da Casa” (1976), de Sophie Tatischeff (filha, montadora e assistente de Jacques Tati), e “Força, bastia” (1978), feito a meias entre pai e filha.

A acompanhar o ciclo, o Espaço Nimas acolherá uma exposição de cartazes de cada uma das longas-metragens de Jacques Tati, reinterpretadas pelos ilustradores portugueses André Letria, Marta Monteiro, Madalena Matoso, João Fazenda, Catarina Sobral e Sara-a-Dias, alter-ego de Sara Osório, e que podem ser vistos aqui:

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A 1 de setembro, a programação chega ao Teatro Municipal Campo Alegre, no Porto. Jacques Tati, que tinha ascendência russa, francesa e holandesa, protagonizou todos os seus filmes. Se em “Há festa na aldeia” era o distraído carteiro François, nas restantes longas-metragens (excetuando “Parade”) assume uma das mais conhecidas personagens, que se lhe colou à pele para sempre: o desconcertante Sr. Hulot, de chapéu, cachimbo e gabardine.

A primeira vez que Jacques Tati se filma como Sr. Hulot foi em “As férias do Sr. Hulot”, filme exibido em Cannes e nomeado para os Óscares. Seguiu-se a comédia “O meu tio”, que lhe valeu em 1959 a estatueta dourada de melhor filme estrangeiro.

Depois dos ambientes campestres, dos tempos de veraneio e em família, Tati filmou a vida moderna numa grande cidade, Paris, em “Playtime” – um ícone do cinema, mas um fracasso de bilheteira que levou o realizador à falência -, e “Sim, Sr. Hulot”, sobre uma aventura nas autoestradas de França e da Bélgica.

Em “Parade”, o filme com que se despediu na década de 1970, Jacques Tati presta um tributo ao mundo do espetáculo e do circo. Jacques Tati morreu em 1982, vítima de uma pneumonia, deixando por concluir o projeto “Confusion”. Em 2010, o realizador Sylvain Chomet rodou o filme animação “O mágico”, a partir de um argumento de traços biográficos escrito por Jacques Tati na década de 1950, com referências a uma filha ilegítima do cineasta.

Os bilhetes para as sessões já estão à venda por seis euros. Na compra de quatro bilhetes, o quinto é gratuito. Para menores de 15 anos, o bilhete tem o custo de três euros. Braga, Coimbra, Figueira da Foz e Setúba também vão receber algumas exibições.