A operadora de telecomunicações norte-americana AT&T foi “altamente cooperante” com a Agência de Segurança Nacional norte-americana, à qual forneceu os dados de “milhares de milhões” de telefonemas e de dados cibernéticos, incluindo e-mails, dos seus clientes — entre estes, estava a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Esta parceria com a NSA (National Security Agency) terá acontecido até ao ano de 2013.

Além disso, também os clientes de outros serviços, inclusive estrangeiros, terão tido a sua privacidade violada com a cooperação da AT&T. “A cedência por parte da AT&T de tráfego no estrangeiro [isto é, fora dos EUA] tem sido particularmente importante para a NSA, porque uma grande porção da das comunicações mundiais na Internet são feitas através de cabos norte-americanos”, escreve o New York Times e o ProPublica. As duas publicações publicaram esta informação num regime de co-autoria depois de terem recebido documentos nesse sentido de Edward Snowden.

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A AT&T é a segunda maior operadora de telecomunicações dos EUA. Segundo o portal Statistica, detém 32,1% do mercado, estando apenas ligeiramente atrás do seu maior concorrente, a Verizon, que controla 36,5% do negócio. A relação próxima entre os serviços de segurança norte-americanos e as empresas de telecomunicações não é novidade — o que não é sabido de forma pública, e que esta investigação veio revelar, é a dimensão desta cooperação e os meios usados.

Embora não seja sabido quanto é que a NSA pagou à AT&T a propósito desta parceria, pode ler-se nos documentos em causa que o orçamento para o ano de 2013 associado a esta operação, era mais do dobro do que o montante canalizado para o segundo maior programa deste tipo.

“Isto é uma parceria, não é uma relação contratual”

Segundo o New York Times, a parceria entre a AT&T e a NSA atingiu um ponto alto em 2013, altura em que a agência de segurança era capaz de processar 60 milhões de e-mails trocados fora dos EUA por dia. Isto tornou-se possível graças a uma estreita relação entre as duas entidades. Num documento analisado pelos jornalistas do jornal nova-iorquino e pelo ProPublica, constava uma nota que aconselhava os funcionários da NSA a serem “simpáticos” quando visitassem as instalações da AT&T em trabalho. “Isto é uma parceria, não é uma relação contratual”, pode le-se nos documentos fornecidos por Edward Snowden.

A AT&T recusou pronunciar-se sobre o tema. “Não comentamos assuntos relacionados com segurança nacional”, disse um porta-voz da empresa ao New York Times e ao ProPublica.

Snowden ficou conhecido depois de ter denunciado as várias formas como as autoridades norte-americanas acediam a informações e dados privados dos cidadãos. O antigo administrador de sistemas informáticos de uma empresa que trabalhava com a NSA denunciou a situação ao jornal britânico The Guardian no verão de 2013 durante uma série de entrevistas dadas num hotel em Hong Kong — o filme Citizen Four documenta esses dias detalhadamente. Pouco tempo depois disso, a Rússia aceitou o seu pedido de asilo.