Tecnologia

Nomofobia: o medo de ficar sem telemóvel

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A ciência já deu nome ao medo de ficar sem telemóvel. Uma portuguesa que coordena uma investigação falou em exclusivo com o Observador. Faça o teste e conheça o seu grau de dependência.

Getty Images

Autor
  • Diogo Queiroz de Andrade

O seu telemóvel ficou sem bateria. Ou desligou-se de repente ou caiu ao chão e parou de funcionar. Há quem fique irritado e há quem fique infeliz. Mas também há pessoas que sofrem de uma ansiedade esmagadora quando ficam sem telemóvel e não podem continuar a alimentar a dependência que criaram do pequeno objeto. Um questionário da Universidade do Iowa com vinte perguntas, coordenado por uma portuguesa, ajuda a determinar se sofre desta doença.

Ana Paula Correia, Professora Associada com Agregação da Escola de Educação da Iowa State University, foi responsável pelo trabalho de um aluno que tentou clarificar o grau de nomofobia. Ana Paula explica que este termo – nomofobia – é uma contração do inglês “no-mobile” e denomina a dependência do smartphone. Este estudo é assumidamente pequeno e dimensionado para a população universitária do Iowa, mas parte de outro estudo publicado no Rio de Janeiro em 2014. Em entrevista exclusiva ao Observador, Ana Paula Correia explica o contexto deste trabalho:

Diz Ana Paula Correia que “o objetivo é alargar o trabalho a várias localizações geográficas, incluindo Portugal, de forma a perceber diferenças entre regiões e também entre perfis de utilizadores – incluindo idade e género”. O estudo centrou-se no telemóvel porque é um aparelho que é “mais portátil, estando sempre connosco, e mais íntimo, porque passa mais tempo connosco.”

E também porque os telemóveis são hoje um mecanismo fundamental de interação social – e no limite é sobre a aceitação social que se dão os comportamentos ansiosos. É por isso que Ana Paula Correia diz que espera que estes comportamentos se tornem mais expressivos, devido à relação íntima que criamos com a sociedade digital. Hoje aprendemos e consumimos informação graças aos aparelhos que nos ligam ao mundo – e os telemóveis inteligentes estão na linha da frente dessa lista.

A doença ainda não foi reconhecida pela Associação de Psiquiatria Americana mas pouco deve faltar, pois vários estudos apontam neste sentido e a própria definição de “fobia específica” do manual de doenças desta associação enquadra essa possibilidade.

Faça o questionário

Para descobrir se também sofre de nomofobia, responda ao inquérito abaixo e classifique as afirmações numa escala de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo plenamente). No final vai perceber se o modo como se relaciona com o telemóvel é semelhante ou não ao das outras pessoas.

Entretanto, vá somando as classificações que escolher para cada questão. É este o valor que vai indicar se tem um comportamento saudável na altura de utilizar o seu smartphone. Resultados mais elevados correspondem a um nível mais elevado de nomofobia. Descubra o significado da sua pontuação debaixo do inquérito.

  1. Eu sinto-me desconfortável sem acesso constante a informação no meu smartphone.
  2. Eu sinto-me irritado se não posso procurar informação no meu smartphone sempre que quiser fazê-lo.
  3. Ser incapaz de receber as notícias (por exemplo, acontecimentos, meteorologia, etc.) no meu smartphone deixa-me nervoso.
  4. Eu sinto-me irritado se não posso usar o meu smartphone e / ou as suas capacidades sempre que quiser fazê-lo.
  5. Ficar sem bateria no meu smartphone assusta-me.
  6. Eu entraria em pânico se ficasse sem dinheiro no meu smartphone ou atingisse o meu limite mensal de dados.
  7. Se eu perder o meu sinal de conexão à rede ou não conseguir ligar-me ao Wi-Fi, vou estar constantemente a verificar se tenho rede ou se me posso ligar a uma rede Wi-Fi.
  8. Se eu não puder usar o meu smartphone, tenho medo de ficar perdido em algum lugar.
  9. Se eu não conseguir usar o meu smartphone por algum tempo, sinto um desejo de verificá-lo.

Se eu não tiver o meu smartphone comigo…

  1. Eu sinto-me ansioso porque não consigo comunicar instantaneamente com a minha família e / ou amigos.
  2. Eu fico preocupado porque a minha família e / ou amigos não podem comunicar comigo.
  3. Eu sinto-me nervoso porque não consigo receber mensagens de texto e chamadas.
  4. Eu fico ansioso porque não consigo manter contato com a minha família e / ou amigos.
  5. Eu fico nervoso porque não sei se alguém me tentou contatar ou não.
  6. Eu sinto-me ansioso porque a minha constante conexão com a minha família e amigos é inexistente.
  7. Eu fico nervoso porque estou desconectado da minha identidade online.
  8. Eu sinto-me desconfortável porque não consigo saber o que se passa nas redes sociais e online.
  9. Eu sinto-me estranho porque não posso verificar as minhas notificações de atualizações nas minhas redes socais e online.
  10. Eu sinto-me ansioso porque não posso verificar as minhas mensagens de e-mail.
  11. Eu sinto-me estranho porque não sei o que fazer sem o meu smartphone.

Eis os resultados:

Entre 7 e 20 pontos

Não nomofóbico. Tem uma relação muito saudável com o seu smartphone e não tem qualquer problema em se separar dele.

Entre 21 e 60 pontos

Ligeiramente nomofóbico. Fica um pouco irrequieto quando se esquece do seu telemóvel em casa durante um dia ou se estiver num local que não tenha Wi-Fi, no entanto, a ansiedade não é esmagadora.

Entre 61 e 100 pontos

Moderadamente nomofóbico. Sente-se bastante ligado ao seu smartphone. Costuma verificar as suas notificações enquanto está a caminhar ou a falar com amigos e sente-se muitas vezes ansioso quando está desligado. Estará na altura de um detox digital?

Entre 101 e 120 pontos

Gravemente nomofóbico. Mal consegue passar mais de 60 segundos sem verificar o seu telemóvel. É a primeira coisa que vê de manhã e a última à noite, dominando a maior parte das suas atividades ao longo do dia. Poderá estar na altura de uma intervenção séria.

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