O grupo suíço Axpo vai entrar no capital da comercializadora de eletricidade e gás natural, Goldenergy. A operação foi notificada à Autoridade da Concorrência, mas ainda não se sabe qual a dimensão da participação a passar para a Axpo, um grupo de produção, venda e comercialização de energia, cujo capital é controlado pelas autoridades dos cantões suíços.

A Goldenergy é a comercalizadora criada pela distribuidora Dourogás, um grupo privado que tem a concessão de distribuição na região de Trás-os Montes, que continuará a ter uma participação acionista de referência, sublinha Nuno Afonso Moreira, o presidente da empresa que irá manter-se em funções. As conversas entre os dois grupos duram já há dois anos e o objectivo é que este negócio permita reforçar as ofertas de energia em Portugal e em Espanha. Os pormenores da transação serão revelados nos próximos dias.

A Axpo tem presença em vários mercados europeus, incluindo Espanha, e já tem oferta disponível em Portugal, mas vocacionada para os clientes industriais e grandes consumidores. O grupo conta com mais de três milhões de clientes, entre o mercado suíço e outros 20 países europeus. Com a entrada na Goldenergy garante um acesso direto ao mercado doméstico liberalizado e reforça a presença no segmento empresarial.

A Goldenergy ganhou rapidamente quota no mercado do gás natural, muito apoiada numa parceria com a DECO (Associação de Defesa do Consumidor) feita em 2013, tendo ainda ganho o leilão de energia lançado por esta associação na modalidade de oferta de gás natural. A empresa chegou a ter quase tantos clientes como a Galp e entrou em 2014 no mercado da electricidade.

No entanto, e depois de um crescimento acelerado, a Goldenergy tem vindo alguma perder alguma quota de mercado (em junho tinha 23,9% dos clientes de gás natural), à medida que nem todos os contratos conquistados nos anos últimos anos têm sido renovados.

A empresa foi notícia no início do ano devido a várias reclamações por alegadas práticas comerciais agressivas de angariação de clientes que chegaram ao regulador e à própria DECO que, por esta altura (fevereiro) já não era parceira da Goldenergy. A empresa reconheceu falhas que atribuiu à atuação de empresas ou agentes externos de angariação de clientes.