A coligação Agir apresentou esta quarta-feira em Lisboa o seu programa para as legislativas de 4 de outubro, procurando a força política através de 51 “bandeiras” eleitorais chegar ao parlamento e enfrentar a corrupção em Portugal.

O “combate implacável e sem tréguas à corrupção” foi apontado por Joana Amaral Dias, cabeça de lista da coligação por Lisboa, como um dos motes do Agir, que apresenta um “programa mínimo com efeito máximo” para as legislativas de outubro.

A corrupção, prosseguiu a candidata, “é como uma bactéria que vive e se alimenta da escuridão”, e o seu combate é um dos dois motes principais do Agir, ao lado da democratização direta e participação cívica.

Entre as 51 propostas elencadas pela força política estão, por exemplo, a defesa de reformas e salários, uma auditoria à dívida pública, uma “discussão nacional e eventual referendo” sobre a presença no euro, a defesa do direito de voto a partir dos 16 anos e a isenção de IMI nas primeiras habitações de famílias “até ao valor patrimonial de 100 mil euros”.

A coligação pretende também “estudar e discutir publicamente” a hipótese de serem tornados públicos os rendimentos dos cidadãos, uma forma de fortalecer por exemplo o combate ao enriquecimento ilícito, vincou Joana Amaral Dias em conferência de imprensa.

A líder do movimento cidadão Agir anunciou que, caso seja eleita e quando for mãe, gozará a respetiva licença de maternidade, sendo substituída por um elemento da mesma plataforma – Nuno Ramos de Almeida -, como ficou acordado com as restantes forças políticas que formam a coligação: Partido Trabalhista Português (PTP) e Movimento Alternativa Socialista (MAS).

Nuno Ramos de Almeida e Gil Garcia, do MAS, estiveram também hoje na conferência de imprensa de apresentação do programa eleitoral do Agir, sublinhando o desejo de ser criado um grupo parlamentar do Agir na próxima legislatura.

Gil Garcia destacou também a ideia do Agir de criar um “texto para a atribuição de reformas”, defendendo a força que “não devem haver reformas de 240 euros da mesma forma que não devem haver reformas de quatro, sete, dez mil euros”.

A nível europeu, a coligação pretende que seja criada uma agência europeia de ‘rating’, pública, transparente e “independente dos interesses privados”, e defende a “coordenação de uma reforma fiscal a nível europeu, que permita acabar com vantagens competitivas inadmissíveis num contexto de união e zona monetária única”.

No setor financeiro, Joana Amaral Dias falou do Novo Banco e da resolução do BES, defendendo que o que sucedeu foi uma “nacionalização” da entidade, embora com contornos diferentes da que ocorreu, por exemplo, no BPN.

“Está à vista que foi disso [nacionalização] que se tratou e que o que vai existir é uma reprivatização”, prosseguiu a cabeça de lista pela capital.

Questionada sobre eventuais disponibilidades para alianças pós-eleitorais, Joana Amaral Dias foi perentória: “Não temos disponibilidade para fazer alianças com quem nos trouxe ao abismo”.

A candidata, outrora militante e deputada do Bloco de Esquerda, recusa portanto “qualquer aliança” com PS, PSD e CDS-PP, pois, acrescentou, o Agir “não quer andar de mãos dadas com os carrascos” de Portugal.