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António Costa saiu do Palácio de Belém e contou que disse ao Presidente da República que está à procura de uma solução de Governo estável e credível qualquer que ela seja. Ainda não fechou portas a nenhuma solução, mas umas estão mais abertas que outras. E por isso sentiu a necessidade de explicar que tem procurado um “programa de governo comum” e que este respeitará a vontade da maioria dos portugueses de mudar de políticas, mas que não estarão em causa os compromissos internacionais. A questão coloca-se: como pode ser possível à esquerda? Costa responde: garante que nenhum partido com que falou põe em causa os compromissos internacionais.

O secretário-geral do PS não se alongou sobre a conversa com o Presidente da República. Numa curta conferência de imprensa, Costa deixou passar a ideia que os contactos que tem tido à esquerda têm sido mais produtivos que à direita e fez a defesa das posições mais duras do BE e do PCP. Garantiu Costa que os dois partidos não se põem de fora dos compromissos internacionais:

“O PS questionou os partidos que anunciaram uma moção de rejeição sobre as condições de criação de um governo alternativo, como partido responsável não podemos viabilizar moções de rejeição sem que simultaneamente estejam criadas condições para a existência de um Governo alternativo. Esses contactos, não tenho escondido, têm decorrido de forma positiva, têm permitido condições para um trabalho sério e consistente que têm em vista a criação de um programa de Governo comum que se responda àquilo que são as necessidades do país, na defesa do serviços públicos, de virar a página da austeridade, mas sempre no respeito pelos compromissos internacionais de Portugal”, disse.

Não foi a única vez que o líder do PS falou do respeito pelos compromissos internacionais. Essa foi uma das condições que o Presidente impôs na sua comunicação ao país e Costa fez questão de esclarecer por três vezes que não estão em causa. Até porque, disse, tem ouvido:

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“parte de várias forças políticas uma clara distinção do documento partidário daquilo que são as condições mínimas que consideram ser necessárias para viabilizar um Governo. E não vi nenhuma delas que não respondesse às preocupações do Presidente da República“.

Já no início da conferência de imprensa com os jornalistas, Costa tinha dito que “o respeito pelos compromissos internacionais de Portugal tendo em vista a participação ativa no quadro da União Económica e Monetária” e “reforçar as políticas de convergência” é a “posição tradicional do PS”.

O líder do PS espera ter uma “avaliação final” até ao final da semana, não querendo antecipar o que pode resultar do encontro com a coligação PSD/CDS no dia de amanhã. Mas diz que está em buscar das “soluções melhores para o país, tendo em conta aquilo que são as preocupações centrais: termos uma solução estável, credível e consistente que exprima a vontade maioritária dos portugueses de que haja uma mudança de políticas do país e é nesse sentido que tenho estado a trabalhar”. E rematou: “Temos de ter a humildade de fazer um esforço de aproximação das políticas uns dos outros”.

Enquanto António Costa falava com o Presidente, recebia no email o “documento facilitador” da coligação e não se quis pronunciar sobre esse documento. Mas aos jornalistas quis dizer que “o que tem resultado claro dos contactos com as diversas forças políticas” é que as conversas não são um trabalho “no programa de todos os partidos”, mas sim numa “plataforma de um Governo e essa plataforma de Governo é que é essencial”, disse.

No final, António Costa ainda qualificou a reunião com o Presidente da República de “importante, interessante e produtiva”, sem no entanto esclarecer se percebeu em Cavaco Silva pouca vontade em dar posse a um governo de esquerda: “Não sou médico nem enfermeiro para medir o pulso ao senhor Presidente e avaliar as posições do senhor Presidente”.