PCTP/MRPP

Jornal “Luta Popular” pede suspensão de Garcia Pereira por “incompetência, oportunismo e anticomunismo primário”

2.010

O jornal "Luta Popular", órgão central do MRPP, pede a suspensão de Garcia Pereira, que acusa de "sabotar o comunismo" e de ser o responsável pelos maus resultados nas legislativas.

PEDRO FREITAS SILVA/LUSA

O jornal “Luta Popular”, auto-denominado “órgão central” do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), pediu, no dia a seguir às eleições legislativas, a suspensão de Garcia Pereira e de quatro outros membros do seu comité central. No comunicado, assinado por “Espártaco”, o pedido de suspensão é atribuído à “incompetência, oportunismo e anticomunismo primário”.

Militante do MRPP desde 1974, Garcia Pereira é, neste comunicado, tido como o maior responsável pelos resultados negativos do partido nas legislativas deste mês. “O PCTP/MRPP obteve uma votação nacional inferior, em quase três mil votos, à votação nacional do sufrágio legislativo de 2011, perdeu mais de três mil votos no círculo de Lisboa, mais de mil e duzentos votos no concelho da capital, cerca de quatrocentos votos na Região Autónoma da Madeira e, com prelação ao sufrágio regional de Março passado naquele arquipélago, desapareceram mais de seiscentos votos”, lê-se.

O jornal assume que PCTP/MRPP “não alcançou nenhum dos objectivos políticos imediatos ao seu alcance”, o que se fica a Garcia Pereira e aos restantes quatro membros do comité central suspensos, “que tudo fizeram para sabotar a aplicação do comunismo, do marxismo-leninismo, dos métodos de trabalho, do programa político e da linha de massas que sempre caracterizaram a vida e luta do Partido”.

Logo na noite das legislativas, a 4 de outubro, o PCTP/MRPP divulgou um comunicado na página oficial do partido, assinado por “Marta”, onde se lê que “muito embora não tenha alcançado o seu objectivo de eleger deputados – ainda que mantendo o essencial do seu eleitorado -, continuará a combater desde o início o governo de traição nacional que vier a sair destas eleições e a bater-se pela formação de uma ampla frente popular de unidade democrática e patriótica que conduza à formação de um governo”, mas, em nenhum ponto desse comunicado, ou até à data, o PCTP/MRPP comentou oficialmente o comunicado do “Frente Popular”.

O Observador tentou contactar, sem sucesso, Garcia Pereira.

O PCTP/MRPP vai reunir-se num congresso extraordinário, marcado para os dias 29 e 30 de abril e 1 de maio de 2016.

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