Já não o fazia desde setembro. A arte de fazer as redes bailar não é para todos. Fazê-lo duas vezes em 90 minutos complica… Mas Jonas tem queda para a coisa. Para jogar bem, para dançar à frente dos que o enfrentam, para chutar e festejar. O avançado brasileiro não fazia um bis desde a sexta jornada, altura em que o Benfica venceu o Paços por 3-0. Antes, já o havia feito a Belenenses (6-0) e Estoril (4-0). O cara é o cara, com golo e categoria. E é também o homem do povo: quando fez o 2-1, correu para os braços dos adeptos e ali festejou com eles. O Benfica venceu um Rio Ave muito interessante por 3-1, num jogo a contar para a 14.ª jornada da Liga NOS.

BENFICA: Júlio César, André Almeida, Lisandro, Jardel, Eliseu, Samaris, Renato Sanches, Pizzi, Guedes, Jonas e Mitroglou

RIO AVE: Cassio, Lionn, Marcelo, Capela, Edimar, Wakaso, Pedro Moreira, Bressan, Ukra, Yazalde e Heldon

Que este Rio Ave joga como gente grande, já pouca gente tem dúvidas. Estende-se no campo, pressiona bem à frente, mete o pé, gira o jogo, toca, vai, movimenta… Bom, tudo o que se esperaria do outro lado. O Benfica tem vários problemas, nomeadamente ao nível da pressão (é mole) e na criação de linhas de passe. Por vezes, quem tem a bola tem uma linha de passe e está com sorte. Ou seja, são criadas duas linhas e os jogadores não se movimentam o suficiente para atrapalhar a marcação dos rivais. Este é um Benfica com poucas ideias, que vive demasiadas vezes do talento ocasional.

E as coisas até começaram bem, apesar das dificuldades na saída de bola. O golo de Jonas, o 12.º na Liga NOS, chegou cedo e prometia tranquilizar os jogadores que vestem de vermelho. Pizzi, com um belo toque, isolou Jonas, mas Cássio disse-lhe ‘aqui não, senhor’. Mas os encarnados acabariam por insistir e a bola voltaria, teimosa, aos pés do avançado brasileiro e, já se sabe, o camisola 17 não desperdiça muitas vezes, 1-0.

O empate chegaria pouco depois, aos 13′. Bressan, um brasileiro naturalizado bielorrusso, investiu numa diagonal e lá foi galgando uns metros, até que Lisandro disse ‘stop’: falta. O camisola 11 assumiu a marcação do livre, olhou, tirou as medidas, respirou e avançou para a bola. Obediente, seguiu imparável, entrando junto ao poste esquerdo de Júlio César, 1-1. Grande, grande golo, senhoras e senhores. É o quinto de Bressan nesta edição da Liga NOS. Ouviram-se assobios, ouviu-se até “joguem à bola”. Este Benfica ainda não convence e os adeptos são o termómetro ideal para o compreender. Há pouca dinâmica, ideias e moleza. Há pouca criatividade e velocidade, e isso é gritante.

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O jogo continuaria aberto até ao intervalo. Do lado do Benfica, Pizzi e Jonas criariam perigo para a baliza de Cássio, enquanto o Rio Ave continuaria arisco, com pedalada na pressão no meio-campo e com Bressan como comandante da equipa. Os visitantes manteriam a bitola: posse de bola e totalmente estendida no campo, algo que acabou por mudar com o aproximar dos 45′, preferindo esperar e fechar bem os caminhos para a sua baliza. Intervalo na Luz.

Samaris seria o primeiro sacrificado, ele que esteve pertinho de ver o segundo amarelo. Entrou Fejsa para ajudar Renato Sanches, desta vez menos exuberante e influente. Os primeiros 15 minutos deste segundo tempo teriam outra toada: mais lenta, mais aborrecida e sem perigo junto das balizas. Solução? Carcela para dar um pontapé na apatia — saiu Gonçalo Guedes. O marroquino teria meia hora para cair no goto dos adeptos.

Pouco depois seria a vez de Raúl Jiménez entrar para o lugar de Mitroglu. O sangue mexicano do avançado ex-Atlético Madrid fazia falta. O homem não desiste de um lance, corre até de mais, uma possível explicação para os golos falhados que vai somando. A ver qual a versão de Jiménez nesta belíssima tarde de domingo…

Carcela, ao seu estilo rápido e malandro, enviou um foguete aos 75′. A bola enganou-se e roçou a rede pelo lado errado. O Benfica cresceu e muito nos últimos 20 minutos, olhou para a frente, empurrou para trás os homens de Vila do Conde com mais força. O Rio Ave soube recuar, perceber que era tempo de sofrer. A seguir a Carcela, foi Renato Sanches, a fazer lembrar o golo que fez à Académica. O médio de 18 anos chutou de fora da área, ficou a olhar com expectativa, à espera da glória. Mas ela não chegaria, pois Wakaso e Cássio desvirtuariam a rota do golo.

As mexidas de Rui Vitória resultariam a dez minutos do fim. Primeiro, Carcela pegou na bola no corredor direito e cruzou para a cabeça de Jonas. O brasileiro, que teima ser o herói desta equipa, meteu a bola lá dentro, 2-1. O avançado revelou-se um homem do povo, seguiu numa correria desenfreada e agarrou-se aos adeptos. Foi um momento emocionante.

A seguir, Jonas decidiu ceder a atenção e isolou Jiménez. O mexicano, sem grande rigor e colocação, pero con la pura sangre, rematou forte para o golo do sossego, 3-1. Cássio ainda tocou, mas não evitou o quarto golo da noite. Até ao fim, Pizzi decidiu levantar a Luz, porém em vão: remate espetacular à trave, que ficou a bailar durante uns segundos. Prri, prri, priiiiii, acabou.

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A exibição do Benfica valeu pela segunda parte, na qual soube crescer e empurrar o Rio Ave para a sua área. Bom, ou foi mérito e saber, até pelas mudanças de Vitória, ou acabaram as pilhas dos jogadores visitantes, que assinaram uma boa primeira parte, com muito carácter, ousadia e qualidade.

O Rio Ave não consegue roubar pontos ao Benfica na Luz desde 2005, num jogo que acabou 2-2, com golos de Petit (bis), Cleiton e Chidi. Desde então tem sido mais ou menos fácil: 1-0, 2-1, 5-2, 5-1, 6-1, 4-0, 1-0. Um resultado como o deste domingo não acontecia desde 1999: Nuno Gomes, Cadete e Pepa, agora treinador do Feirense, fizeram os golos da equipa de Graeme Souness. André Jacaré marcou para os visitantes.