O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, começou por afirmar que não sabe o que se passou em relação ao doente que morreu no Hospital de São José, enquanto aguardava por cirurgia a um aneurisma roto, “nem tinha que saber”. Em entrevista esta noite à TVI, e na sequência da polémica morte, Adalberto Campos Fernandes pediu prudência na avaliação do caso e lembrou que as investigações estão a decorrer. Houve ainda tempo para falar dos cortes “excessivos” que ocorreram na saúde nos últimos anos e das medidas que estão a ser postas em marcha com o objetivo de melhorar o acesso aos cuidados de saúde, como a redução das taxas moderadoras.

“A pior coisa que podemos fazer é uma análise precipitada, num quadro em que está em jogo uma instituição centenária e onde trabalham mais de 6.000 pessoas”, afirmou o governante, repetindo que é preciso ser prudente a falar destes casos e manifestando “confiança” nos médicos.

Porém, à semelhança do que já tinha acontecido da primeira vez que foi confrontado sobre este caso, Adalberto Campos Fernandes repetiu que “a situação é incompreensível”.

Não podemos ter hospitais de fim de linha a trabalharem meio tempo ou em tempo parcial”, acrescentou o ministro da Saúde, frisando que foram dadas, de imediato, instruções para que houvesse partilha de recursos entre os hospitais da capital de forma a “garantirem prontidão”.

Alargando o olhar a todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o governante afirmou que “o SNS foi exposto a uma reestruturação nalguns casos necessária, noutros excessiva”. “Considero inaceitável que se diga que tudo isto se deve aos cortes, mas também acho inaceitável que se digam que os cortes não tiveram nenhum efeito”.

Aliás, acrescentou, a “inexistência de uma equipa em prontidão [no Hospital de São José] é um exemplo que aqui os cortes resultaram num problema”, rematou.

Adalberto Campos Fernandes acrescentou que se fecharam camas de internamento a mais em Lisboa nos últimos anos. Entretanto, desde a notícia da morte do jovem de 29 anos, já foram abertas 150 camas e irão abrir mais 50 para darem resposta à procura.

E enquanto ex-titulares da pasta, como o ex-secretário de Estado adjunto e ex-ministro, Leal da Costa, afirmam, sem dúvidas, que o SNS de 2015 é melhor do que o de 2011, Adalberto Campos Fernandes em outra visão.

Não é bom dizer às pessoas que estão a sofrer que o Serviço Nacional de Saúde de 2015 é muito melhor do que o de 2011. Isto não é verdade. Nós temos é dois países: o país das pessoas com seguros, ADSE e outros subsistemas ou meios próprios e que podem circular [entre o SNS e os hospitais privados] e depois temos as que não têm mais nenhuma alternativa. A nossa obrigação é agir depressa.”

Ainda a propósito das medidas que estão já em marcha, Adalberto Campos Fernandes frisou que o Ministério da Saúde vai mesmo “reduzir globalmente o valor das taxas moderadoras, de uma forma inteligente”, especificando que “quem vai ao centro de saúde” e “quem liga para a Linha Saúde 24” não pode ser “penalizado”. Já se sabia que a intenção do Governo era isentar do pagamento nas urgências hospitalares as pessoas que sejam encaminhadas pela Linha Saúde 24 e pelo médico de família (isto já acontece), agora o titular da pasta da saúde acrescentou que se estende também a “análises” feitas no próprio hospital. Voltarão a estar também totalmente isentos bombeiros e dadores de sangue.

O ministro referiu ainda que este Governo irá apostar à séria nos cuidados de saúde primários e que será preciso levar a cabo uma “reformulação do SNS”, inclusivamente no que toca à confiança dos portugueses em relação ao mesmo.

(Notícia atualizada às 22h00)