A Garra e a Amover, duas associações de apoio animal sem fins lucrativos, lançaram uma petição pública para acabar com a comercialização de animais em plataformas de classificados online. Para além de exigirem a criação de uma lei que termine com a venda ilegal de animais na internet, as associações pretendem que seja impedido o comércio “sem as devidas condições” e “a sua promoção como objeto de troca”.

Nas plataformas de classificados online, como o OLX ou o Custo Justo, são vários os anúncios que promovem a venda de animais domésticos ou exóticos. O preço é geralmente inferior ao praticado pelas lojas de animais e criadores certificados e, em muitos casos, os animais, geralmente de raça, são oferecidos em troca de objetos que tenham interesse para o vendedor, como bilhetes para concertos, computadores ou até armas.

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“Estas plataformas permitem a venda ilegal de animais exóticos” por “criadores não registados pelas autoridades competentes”, referiram A Garra e a Amover em comunicado. “A venda de animais por parte destes criadores não credenciados leva não só a um aumento do tráfico de animais exóticos, mas também ao de espécies da nossa fauna. Não havendo nenhum controlo, é impossível saber-se se os animais vendidos provêm de um criador ou se são retirados ilegalmente da natureza.”

Mafalda Campos, da Amover, garante que é possível encontrar todo o tipo de animais exóticos à venda no OLX ou no Custo Justo, desde cobras a macacos. “Existe um vendedor que envia tarântulas por correio. Isso é um perigo”, disse ao Observador.

No que diz respeito ao comércio de animais domésticos, como cães e gatos, as duas associações consideram que a maioria dos criadores são acumuladores de animais, “pessoas que fazem criação em condições miseráveis, sem higiene nem preocupações pelo bem-estar dos animais”. “Estes animais raramente são desparasitados, tornando-se num foco de doenças.” Para além disso, a acumulação de animais faz com que, muitas vezes, os animais sofram de problemas ao nível do comportamento. Tornam-se agressivos e podem mesmo chegar a auto-mutilar-se.

“Existem ainda animais que são trocados por itens, como smartphones e outros gadgets, como se de objetos se tratassem. Esta é uma imagem degradante da nossa sociedade, que deve estar mais envolvida e preocupada com o bem-estar animal”, refere ainda o comunicado emitido pelas associações.

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A petição, lançada no início deste mês, é dirigida ao Presidente da Assembleia da República, ao diretor-geral da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e ao Presidente do conselho diretivo do Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Conta já com 2.165 assinaturas.