Na sequência da revelação sobre os prejuízos de 980,6 milhões de euros que o Novo Banco registou em 2015, o ex-presidente do antigo Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, reagiu aos números e atirou culpas ao Banco de Portugal. Num comunicado emitido esta quinta-feira pela defesa de Ricardo Salgado, o ex-presidente do BES demarca-se da resolução “que sempre denunciou como um erro” e afirma que, um ano e meio depois, é o governador do Banco de Portugal que deve ser responsabilizado. “É tempo de o senhor governador do Banco de Portugal assumir a responsabilidade pelos seu atos”, lê-se.

“Foi o Banco de Portugal que prolongou, durante mais de um ano e meio, a transferência de ativos ditos tóxicos para o BES, incluindo a garantia soberana do Estado de Angola ao BESA”, lê-se no comunicado, acrescentando-se que o Banco de Portugal é “responsável pela transferência para o BES de obrigações sénior em parte comercializadas já pelo Novo Banco, assim pondo em causa a confiança no Novo Banco junto de investidores institucionais de grande relevância a nível internacional”.

Apontando as culpas ao governador, o comunicado refere que Ricardo Salgado não irá “fugir às suas responsabilidades pela gestão do banco”, mas que, ao mesmo tempo, o gestor não vai ser “responsabilizado pela gestão do Novo Banco e muito menos pelas consequências da decisão de resolução”, com a qual nunca concordou.

No mesmo comunicado refere-se ainda que os resultados registados este ano pelo banco mostram que “os clientes tinham mais confiança no BES do que têm no Novo Banco”.

“O Novo Banco tem menos 24% de depósitos e concedeu menos 33% de crédito do que o BES em 30 de junho de 2014, o que demonstra que os clientes tinham mais confiança no BES do que têm no Novo Banco”, lê-se no comunicado de defesa, acrescentando-se que em junho de 2014, antes da resolução, o BES tinha provisões “superiores em quase 20% às provisões que o Novo Banco registou no final de 2014” – sem contar com as associadas aos “eventos tóxicos ou extraordinários”.

Segundo se lembra no comunicado, essas mesmas provisões apresentadas pelo BES no final de junho de 2014 foram impostas pelo Banco de Portugal, certificadas pela KPMG e aprovadas por uma administração de onde Ricardo Salgado já não fazia parte.

A CMVM revelou ontem que o Novo Banco registou prejuízos de 980,6 milhões de euros em 2015, ainda a sofrer com o efeito da resolução do BES. “O resultado do exercício foi de -980,6 milhões reflexo do elevado nível de provisionamento essencialmente para crédito a clientes, títulos e imóveis (1.054,4 milhões) e da anulação da totalidade dos prejuízos fiscais reportáveis relativos ao ano de 2013 no valor de 160 milhões de euros”, lia-se no comunicado da CMVM.