A Quercus transmitiu, ao ministro do Trabalho, a sua disponibilidade para, juntamente com entidades especializadas, realizar o levantamento dos materiais com amianto no edifício da segurança social de Vila Franca de Xira.

“Vem a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza apresentar a sua disponibilidade para realizar, com o apoio de entidades especializadas na questão do amianto, ‘pro bono’, o ‘levantamento aos materiais contendo amianto'”, refere a comunicação dirigida ao ministro José Vieira da Silva, a que a agência Lusa teve, esta sexta-feira, acesso.

Os ambientalistas preveem ter “resultados no prazo máximo de uma semana (sete dias úteis) “. Os trabalhadores da Segurança Social de Vila Franca de Xira iniciaram na terça-feira uma greve por tempo indeterminado, a alertar para a falta de condições das instalações, às quais associam o aparecimento de cancro.

Entre os 41 trabalhadores do Serviço Local de Vila Franca de Xira da Segurança Social (SLVFXSS) estão diagnosticados 18 casos de doentes, alguns com problemas do foro oncológico, e que os funcionários associam à presença de amianto no edifício onde trabalham.

Na comunicação enviada pela Quercus ao ministro do Trabalho, Segurança e Solidariedade Social, assinada pelo presidente da associação de defesa do ambiente, João Branco, são listados alguns procedimentos que a associação se propõe realizar.

Vistoria e identificação dos materiais suscetíveis de conter amianto na sua composição, recolha de amostras e avaliação laboratorial para confirmação da presença de fibras de amianto, avaliação à qualidade do ar interior e verificação da presença de fibras são as ações referidas.

A presença desta substância em edifícios públicos, mas também privados, nomeadamente em habitações, tem suscitado várias críticas ao Governo, da parte de associações, dos partidos e de diversos sindicatos que defendem a proteção dos trabalhadores e dos utentes, através da identificação e, se necessário, remoção do amianto.

Em julho de 2014, foi divulgada a lista de 2.015 edifícios, distribuídos pelos ministérios, representando 16% do total dos imóveis detidos pelo Estado, e alguns trabalhos terão sido listados e realizados.

Mas, em fevereiro, a Quercus voltava a alertar para a falha na conclusão do levantamento do amianto nos edifícios públicos, assim como para a necessidade de verificar se há pessoas expostas e de sinalizar situações de risco, acrescentando ainda que a habitação continuava sem legislação específica.