Manuel Alegre considera que tanto Bloco de Esquerda como PCP estão empenhados na solução do Governo à esquerda e que o partido neste entendimento que tentar desestabilizar o executivo de António Costa “vai pagar um preço muito alto”. Para o histórico socialista, o atual primeiro-ministro não é um esquerdista, nem nunca se posicionou no PS como tal. É, sim, um homem de centro-esquerda.

O poeta e histórico socialista disse em entrevista à revista Weekend, parte do Jornal de Negócios, que António Costa “percebeu, a partir da Grécia, que é muito difícil um país sozinho enfrentar o poder estabelecido sem sair da Europa” e, por isso, “tentou fazer diferente sem mudar as regras”. Se isso vai resultar em mudanças ou mais flexibilidade para Portugal, Manuel Alegre tem “dúvidas”.

Na solução de Governo, com apoio parlamentar à esquerda, o socialista vê “empenho” ou, pelo menos, vontade de impedir que “a direita ultraliberal volte ao poder”. “Quem puser em causa esta solução vai pagar um preço muito alto”, garante Manuel Alegre sobre o compromisso assumido pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda. Nos últimos quatro anos, Alegre afirma que a esquerda “ficou de consciência pesada” já que todos tiveram responsabilidades na queda do Governo de Sócrates e consequente subida ao poder da direita.

Sobre António Costa, Alegre referiu que ele não é um esquerdista e que o acordo mudou o interior do PS. “Nunca esteve na chamada ala esquerda nos combates que se travaram no interior do PS, embora venha de uma família de esquerda. É um homem de centro-esquerda”, afirmou o socialista.