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Sérgio Machado, ex-presidente da ex-presidente da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras, tem sido o maior fator de instabilidade do governo interino de Michel Temer. Após divulgar, nas últimas semanas, gravações feitas de forma oculta a altos dirigentes do PMDB, partido do presidente interino, que sugerem interferências políticas na Operação Lava Jato, Machado terá revelado à justiça brasileira que distribuiu mais de 17,4 milhões de euros em “luvas” ao mesmos políticos alvos das escutas.

Segundo avança o jornal O Globo, Machado terá revelado aos investigadores que fez os seguintes pagamentos:

  • Cerca de 7,48 milhões de euros a Renan Calheiros, presidente do Senado brasileiro. Na gravação revelada por Machado, Calheiros sugeriu enfraquecer a lei da “delação premiada”, (arrependido) mecanismo utilizado por um réu da justiça brasileira que aceite colaborar na investigação ou denunciar outros envolvidos num crime em troca de uma redução de pena.
  • Cerca de 4,99 milhões de euros a Romero Jucá, ex-ministro do Planeamento de Michel Temer. Jucá foi exonerado do cargo após o jornal Folha de S. Paulo revelar uma gravação feita por Machado em que afirma que o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência do Brasil resultaria num pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato.
  • Cerca de 4,99 milhões de euros a José Sarney, ex-presidente do Brasil e histórico dirigente do PMDB. Sarney disse nas gravações que o Presidente interino teve de negociar “certas condições” com a oposição para conseguir o apoio para afastar Dilma e trata de estratégias para livrar Machado da Operação Lava Jato.

Os outros valores terão sido pagos a senadores do PMDB. A publicação relata que o dinheiro foi desviado da Transpetro, empresa responsável pelo transporte de combustível da Petrobras, num esquema que funcionou de 2003 a 2015, período no qual Machado esteve à frente da companhia. Os recursos eram transferidos para intermediários antes de chegar aos políticos e terá sido usado para pagar campanhas eleitorais e despesas pessoais.

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Machado terá sido indicado para a presidência da companhia por Renan Calheiros, no início do primeiro mandato do ex-presidente Lula da Silva. O presidente do Senado também ter-lhe-á dado apoio para que permanecesse no cargo nos últimos anos, apesar das pressões políticas recebidas para deixar a empresa, na sequência de acusações de corrupção feitas a Machado por réus da Operação Lava Jato.

O Supremo Tribunal Federal homologou, na última semana, a “delação premiada” de Machado e as informações dadas por ele às autoridades, como o esquema de corrupção revelado pelo jornal O Globo, estão sob análise para que possam ser usadas em investigações em andamento.

Procurado pela publicação, Calheiros negou ter recebido “luvas” de Machado e garantiu que “nunca indicou ninguém para a Petrobras ou para o setor elétrico”. “Jamais recebi vantagens de ninguém e sempre tive com Sérgio Machado relação respeitosa e de estado”, afirmou. Já Romero Jucá negou, num comunicado de imprensa, “o recebimento de qualquer recurso financeiro por meio de Sérgio Machado ou comissões referentes a contratos realizados pela Transpetro”. Sarney não respondeu aos pedidos de contacto do jornal.