O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, diz que o processo dos contratos de associação foi “feito de uma forma muito veloz, muito ágil, e transformou este assunto num tema que dividiu a sociedade portuguesa”. Numa entrevista à Rádio Renascença, o autarca, do PS, disse não concordar “com o tempo tão curto em que isto foi feito, porque criou hostilidades”.

Eduardo Vítor Rodrigues diz que o Governo “vai ter de assumir aqui uma posição de mais diálogo, de mais forte diagnóstico e de estudo caso a caso”. Defendeu ainda o “trajeto de «Estado misto», que fomos construindo desde o 25 de abril”, afirmando que não se pode assumir “tudo como mau só porque é privado ou tudo como bom só porque é público”. O autarca desafiou ainda a que haja “igual coragem noutras áreas, na área da saúde por exemplo, onde se percebe que as unidades privadas são muito mais tributárias de uma relação muito intensa com o Estado”.

Na entrevista, Eduardo Vítor Rodrigues falou ainda sobre a TAP. “Se [Rui Moreira] esteve sozinho foi porque os órgãos de comunicação social lhe deram os microfones todos e não me deram nenhum a mim”, disse o autarca. O líder da autarquia de Gaia explicou que tem “dificuldade em acreditar” que regressem ao Porto alguns dos voos internacionais que foram abolidos. “O Rui Moreira ficou muito sozinho nesta luta”, lamentou.

Sobre a sua autarquia, Eduardo Vítor Rodrigues diz que a encontrou numa “situação grave”. “Podia estar em causa o próprio pagamento de salários, estávamos no limite da liquidez”, explicou, acusando a anterior equipa de “um modelo de gestão absolutamente despesista e megalómano, que acaba por entroncar nas contas”.

“Tínhamos um passivo acumulado muito significativo, muito superior a 300 milhões de euros, ao qual se somava uma situação penosa nas Águas de Gaia e na Gaiurb”, afirmou o autarca. A Gainima, “uma empresa municipal que entretanto colapsou”, é uma das principais manchas na autarquia. O processo está em segredo de justiça, mas Eduardo Vítor Rodrigues diz que o que lhe interessa “é que se reponham os recursos públicos e, por outro lado, que se faça justiça”.